Viajar sozinha como um ato de (Re)existência – por Karô – Na Estrada com as Minas

Viajar sozinha como um ato de (Re)existência – por Karô

Viajar sozinha como um ato de (Re)existência – por Karô

Saúdo as manas por essa iniciativa, que realmente é algo muito importante na nossa RExistencia para unir e fortalecer as nossas múltiplas caminhadas! Quando comecei a viajar sozinha pelo BR de bike, busquei por mulheres que já viajavam e nessa busca me frustrei, pois naquele momento, poucas minas tinham seus relatos na rede. Por isso, agradeço e somo junto para que sejamos cada vez mais livres estando onde queremos estar. Para romper com toda e qualquer crença limitante de que viajar sozinha, sendo/estando Mulher, é perigoso e nos torna vulneráveis. Esse perigo está na construção da sociedade patriarcal/macho-cis-branco, estejamos ou não viajando. Estar ou não estar em movimento, não te deixa mais segura!

Para mim, viajar sozinha é um ato de resistência. Não vou deixar de fazer o que eu quero, não vou jamais deixar de fazer o que meu coração almeja, por causas externas que se enraízam internamente, fazendo-nos crer que não somos capazes e que é um perigo SER MULHER.

Foi uma construção dentro de mim, passo-a-passo. Não foi do dia para noite. Uma inquietação e frustração latente, sobre a maneira como me faziam acreditar que deveria viver e como eu queria criar a minha realidade.

Sentir medo de sofrer violência sexual/de gênero, era algo que me deixava inerte. Porém, em algum momento, dentro de mim, extravasei e me atirei ao acaso. Ruptura. Não vou ser mais uma a ver o tempo passar e passar, deixar que me ditem o que fazer, deixar que me limitem dentro de minhas capacidades ilimitadas. Justamente para desafiar esse medo, esse medo reafirmado por quase todas as pessoas que cruzaram e cruzam meu caminho, pela mídia, pelo “padrão”.  Rompi.

Não podia acreditar que, no mundo, existiam mais pessoas ruins do que boas. Pode ser uma versão romantizada de mim. Mas foi o que senti, e que de alguma maneira se provou reverso. Recebi e recebo solidariedade, constantemente. Constatei que existem mais pessoas generosas do que ruins. Mas constatei também, que ser bom ou ruim não tem nada a ver com Machismo.

Me chamo Karolina Mendes PatJa, mas gosto mais de me apresentar como Karô. Tenho 24 anos. Nasci em Porto Alegre-RS, mas cresci em Santa Maria-RS. Nômade. Atualmente, uso a bicicleta como principal meio de transporte.

A ideia de viajar em bicicleta por aí, surgiu por destino.

Estava em um momento divisor de águas, tomada de decisões. Me vi, em setembro de 2016, depois de um período viajante, novamente na casa de meus pais. Uma realidade que deixei de viver com 16 anos, onde sai de casa e fui seguir com meus estudos. Não esperei três semanas e sai. Eis que surge a oportunidade de um curso de arte sobre rodas, para construir uma bicicleta de bambu, em Porto Alegre-RS. Mando um e-mail para o facilitador, Klaus, da @artbikebamboo. Ok. Sabia que ao final do curso, seria sorteado o quadro feito entre os participantes. Daí digo, que a bicicleta surgiu por destino. Nasceu a Mísitica, minha bike artesanal de bambu.

Armei a bike da maneira que deu, e fui me equipando ao longo do caminho também. Saí de Porto Alegre em novembro de 2016. Hoje, outubro de 2017,  estou pela Chapada dos Veadeiros, nordeste de Goiás. Porém, voltando ao sul, para me reorganizar. Sinto fortemente meu joelho neste momento, e não quero força-lo. Pois, acredito que o quadro da Mística está grande para meu tamanho. Vejamos o que acontecerá. Desejo muito seguir viajando em bicicleta pela Madre Latina. Uma certeza eu tenho, ainda tem muito para alimentar minha alma com lugares, culturas e pessoas. Sigo nômade. Sigo viajante!

Facebook: https://www.facebook.com/karolpata

Instagram: @karobambu

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Mulheres tão particulares, com um único objetivo em comum, viver as melhores (e maiores) aventuras já vistas. Juntas ou sozinhas, nós queremos é viver! E compartilhar nossas experiências para que possamos inspirar cada vez mais, outras mulheres.



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