Viajando com pouco: quando viajar se torna sua prioridade

Viajando com pouco: quando viajar se torna sua prioridade

Sempre fui uma pessoa descontrolada, financeiramente falando. Quando comecei o curso de empreendedorismo descobri que a minha falta de educação financeira foi a grande culpada de todo esse descontrole. Não somos ensinados a lidar bem com o nosso dinheiro, de forma consciente, saudável, para todo lugar que olhamos vemos sinais gritantes de “gaste!”, “gaste seu dinheiro imediatamente” e é o que nós fazemos, assim que recebemos o dinheiro corremos para gastá-lo com qualquer coisa, até com o que não precisamos, pelo simples prazer de gastar.

Iniciei o ano fazendo grandes planos e um deles é viajar mais, mas viajar não é algo exatamente barato, que você consiga fazer com um orçamento de R$ 2,50 – seria ótimo se conseguíssemos né! Mas na vida real as coisas custam um pouco mais do que isso, no entanto quando descobrimos algumas palavrinhas mágicas chamadas: autocontrole, planejamento e economia percebemos que sim, é possível viajar gastando pouco e tudo se torna uma questão de prioridade e mudança de hábitos.

Claro que toda mudança precisa ser feita de forma gradativa para que não regressemos quando estivermos tão avançadas, com isso a mudança será muito mais consciente e consistente, e por isso, é importante ter os pés fincados no chão, a cabeça limpa e se manter tranquila, pois não é uma tarefa fácil.

Quando recebi o convite para viajar, no início do mês eu já sabia que o dinheiro não daria. Gastei mais do que deveria no final do ano e sabia que tinha passado dos limites. Eu não sou compradora compulsiva – pelo menos eu acho que não – mas percebi que estava extrapolando os limites do bom senso gastando todo o meu dinheiro com comida e lanches, se eu estivesse nervosa, feliz ou triste, não importava, tudo virava motivos para comer descontroladamente e assim, gastar o que eu tinha e o que não podia, por isso, precisei colocar um freio em mim mesma e repensar algumas atitudes.

Três semanas antes da viagem eu comprei as passagens com ID Jovem – paguei por volta de R$ 19 reais às passagens de ida e volta do Rio de Janeiro para São Paulo – com as passagens compradas eu “forcei” meu cérebro a parar de pensar em comida e a começar a pensar na viagem. Eu fiquei bastante preocupada se conseguiria economizar o suficiente até a data da viagem, mas o desafio estava posto, eu tinha que cumprir.

Como eu fechei uma parceria com o Anhembi HostelCLIQUE AQUI PARA LER A MATÉRIA – eu estava tranquila com relação à hospedagem, mas se fosse em outras circunstâncias eu provavelmente usaria o CouchsurfingSAIBA TUDO SOBRE COUCHSURFING AQUI. E eu super recomendo para quem vai viajar com o orçamento apertado.

As minhas preocupações se resumiram a: alimentação e locomoção. Viajar para um lugar que você não conhece é sempre um grande desafio pessoal. A minha ideia com essa viagem era economizar o máximo possível, não por que eu não tinha dinheiro, eu até tinha, mas eu havia me desafiado, eu precisava provar pra mim que conseguiria viajar com pouco, precisava provar para mim mesma que para viajar eu precisaria de muito mais planejamento e organização do que dinheiro propriamente dito.

Quando me fiz esse desafio, decidi que colocaria na mochila além das roupas, biscoitos, guloseimas e água e que fecharia os olhos para tudo o que parecesse apetitoso, os cheiros seduzem então não é algo tranquilo de se ignorar, mas eu resisti o máximo que eu pude.

Outra coisa que fez toda a diferença foi “iniciar” um cofre com propósito. Sempre tive diversos cofres na vida, mas sempre juntava dinheiro a esmo e sempre gastava logo quando colocava o dinheiro dentro. Designar um propósito para o cofre/dinheiro foi muito importante para a minha mente entender que eu não podia tocar naquele dinheiro, então toda vez que eu pensava em gastar a minha consciência pesava e eu voltava atrás. Esse exercício de resistência durou apenas uma semana, depois desse tempo eu nem cogitava mais aquele dinheiro como algo que eu pudesse usar no dia a dia, eu colocava a grana lá e “esquecia”. Eu também aproveitei que tinha dois cofres “sobrando” e os dividi em: “moedas grandes” e “moedas pequenas”. Inicialmente eu pensei que poderia usar o das moedas pequenas para comprar pão, pagar o ônibus, essas coisas, mas no final eu estava tão comprometida que chegou o dia da viagem e os dois cofres estavam intocados e eu muito orgulhosa.

E de tudo isso tirei a seguinte lição: comprometimento é a chave!

É claro que eu passei perrengue na viagem, é claro que eu gastei mais do que o previsto, mas fiquei orgulhosa do resultado final por ter conseguido me comprometer a juntar dinheiro para a viagem e por ter conseguido e logo quando cheguei a casa, abasteci os cofres com os trocos da viagem para a próxima!

Foi apenas um pernoite, pois o objetivo principal era ir para a Campus Party e conhecer o Anhembi Hostel, eu gastei o total de R$ 109,40 por que eu me perdi, com o celular descarregado e tive que gastar a mais com locomoção e como cheguei muito tarde na Campus Party não tinha tempo para comprar algo em conta para comer e acabei gastando mais do que o planejado com comida, mas a noite no Hostel eu preparei um miojão daqueles, o que me fez economizar com a jantar, no fim das contas eu estava tão orgulhosa por ter concluído – quase que com louvor – a missão que me presenteei com um dos deliciosos hambúrgueres da Burger Shop, perrengues a parte, foi uma experiência incrível que me ensinou muito sobre viajar sozinha, estou ansiosa para aplicar o aprendizado na próxima!

Até lá!

Tem uma história interessante sobre economias ou perrengues de viagem? Conta pra gente aqui no comentários ou nos mande um email: naestradacomasminas@gmail.com

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Cami Santos, mãe da Clara, carioca com alma de cigana, ariana dos pés a cabeça, 22 anos. Estudante de Jornalismo, feminista negra interseccional, escritora e apaixonada por moda, viagens, fotografia e música.



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