Autoconhecimento Na Estrada com as Minas

Ressignificar: reflexões sobre transformações e autoconhecimento

Nesta primeira semana de junho, faço uma retrospectiva e reflito sobre todas as mudanças que aconteceram no último semestre. Mudanças essas, que transformaram a minha perspectiva de vida e me levaram a um lugar desconhecido, ou a muito tempo adormecido. Um lugar que visito pouco na correria do dia a dia e me assusto toda vez que chego lá, por todo o caos e beleza que existe. Lugar esse, que só eu conheço e não deixo ninguém entrar, a não ser quando me distraio e deixo uma fresta da porta aberta. São nesses raros momentos que entram um pouco mais de dor, de calma, de amor e de esperança. Esse lugar está guardado no meu mais profundo ser e percebi que preciso deixar o ar entrar um pouco, tirar a poeira, aparar as arestas. Ressignificar o meu lugar dentro de mim.

O final de 2017 foi muito confuso e turbulento pra mim. Frustrada com a faculdade e empolgada com o novo emprego eu estava distraída demais para perceber no que estava me metendo. Eu não percebi e continuei trabalhando duro, sonhando alto, sendo multitarefa. E a grande questão de se estar sempre ocupada é que uma hora você vai deixar de fazer algumas coisas para priorizar outras e é nesse momento que muitas pessoas falham, foi nesse momento que eu vacilei.

Eu achei que se trabalhasse muito e me dedicasse a realizar meu sonho, não sofreria as consequências de me autonegligenciar. Eu me omiti, e fui submissa por que achava que o meio justificaria o fim, cheguei a achar que não teria forças para lutar determinadas batalhas, e às vezes você está tão cansado de lutar que só pensa na maneira mais fácil de desistir, e eu ficava me perguntando o tempo inteiro: “como dar continuidade a algo que nem começou direito?” Essa angústia começou a me adoecer por dentro e transformar os meus dias, em dias pesados e difíceis de viver, e às vezes você não quer/pode pedir ajuda. Então você só segue em frente acumulando um monte de sentimentos que só vão te inchando, inchando até chegar a hora de você explodir.

Então eu comecei a abrir mão da gravidade que me mantinha presa ao chão. Chega um momento na vida em que precisamos escolher entre nossas vontades e desejos e a nossa saúde, e eu estava no meio dessa encruzilhada.

NÃO TENHA MEDO DE FAZER ESCOLHAS

A vida (in)felizmente é feita de escolhas e nem sempre acertaremos nas decisões. Às vezes magoaremos as pessoas que amamos, às vezes seremos magoados e de vez em quando você mesmo vai se magoar. São nessas horas que a maturidade precisa ser ativada – muitas vezes ela falha por que não somos seres humanos tão evoluídos assim – mas precisamos ser firmes e lutar ao máximo contra o ímpeto da infantilidade.

Quando eu decidi levar minha gravidez adiante, eu imaginava alguns dos “venenos que eu passaria”, eu não estava pronta para a realidade, e não fazia ideia de que ser mãe solo seria infinitamente pior do que haviam me dito, mas eu não hesitei, nunca duvidei de que aquela era a decisão certa a ser tomada. A partir de então, todas as minhas decisões foram pautadas na minha maternidade. Desde; o que eu comeria – pensando na saúde da bebê – até; o que eu vestiria – optando sempre pela roupa mais confortável para correr atrás de uma criança ou carregá-la no colo. Sendo uma decisão trivial ou algo mais importante, como continuar ou não a faculdade, reflito sobre todas as minhas decisões considerando o fato de que eu tenho alguém pra cuidar, amar e criar.

Baseada nessa realidade eu decidi. Decidi que a vida precisava ser mais leve. Entendi que não estava dando conta. Percebi que eu precisava de um tempo. E preferi recomeçar.

É TEMPO DE SE DESPRENDER

FACULDADE

A primeira grande decisão que tomei foi; não gastar mais tanta energia com a faculdade. Eu estava confusa, frustrada, chateada e sem saber se aquele era o curso ideal para mim. Quando eu optei por jornalismo estava convicta de que escrever era a minha grande paixão, mas o jornalismo está morrendo, os autores iniciantes são mal pagos e eu nunca quis ser professora. Em tempos de Internet, o Marketing Digital ganhou uma força surpreendente e roubou meu coração. Hoje o que faz meu coração bater mais forte além de comunicar, é acompanhar métricas e analisar resultados, por isso decidi dar um tempo na vida acadêmica que nunca fluiu de forma excelente para entender de fato o que faz o meu coração pulsar e não me arrepender, de novo, da próxima vez que decidir voltar para uma sala de aula.

MÉTRICAS DE VAIDADE

Quando idealizei o projeto Na Estrada com as Minas eu não imaginava a proporção que ele ganharia ao longo do tempo. E tem sido lindo, impactar não só mulheres, mas vidas de pessoas que se consideravam “covardes”, compartilhar o conhecimento, criar conexões através de uma rede segura de apoio, tudo isso faz com que eu tenha cada vez mais certeza de que estamos trilhando o caminho ideal, mas a internet ao mesmo tempo que é maravilhosa, pode ser muito traiçoeira. Quando me engajei de verdade com as redes sociais, comecei a ficar paranoica com números, métricas, interação, engajamento, beleza e quase me perdi na essência real da coisa, quando um grande amigo meu me deu um sacode e abriu meus olhos eu percebi o quanto as métricas de vaidade podem ser tóxicas. Em tempos de “feed organizado”, se você não tomar cuidado a sua vida que vira um caos em prol de algo que infelizmente não vai te acrescentar em nada. Por isso eu precisei diminuir o ritmo, o tempo e a energia que eu gastava nas redes sociais para focar em coisas mais importantes, eu não deixei de postar, mas comecei a postar com mais qualidade, comecei a interagir de verdade com os leitores e não só como um robô e isso fez toda a diferença na forma como eu enxergo hoje o projeto e principalmente na forma como me vejo.

O AMOR NEM SEMPRE É UM MAR DE ROSAS

Eu me apaixonei. Tudo o que eu mais temia aconteceu. Eu me dediquei durante 3 anos religiosamente a minha filha e ao meu trabalho, sem olhar para os lados, sem me dar ao luxo de perceber pessoas boas ao meu redor que queriam me ajudar de várias formas. Eu passei 3 anos cega, perdida em um furacão de raiva, mágoa e dor. E depois de todo esse tempo, sorrateiramente o amor chegou. Eu não estava pronta, na verdade ele se instalou nas entrelinhas, nas distrações, nos olhares que se agarravam tão forte a minha alma e ao meu coração. E eu cedi, covardemente cedi e tremi na base quando ele me retribuiu, quando me cuidou, quando foi verdadeiro. Eu tremi por não estar acostumada a lidar muito bem com o amor e o afeto genuínos. Tremi por que, “se por vezes falta amor de dentro pra fora, como receber tanto amor de fora pra dentro?” Foi desafiador. E ainda é. O grande obstáculo foi superar o medo que eu tinha de dizer; “sim, eu amo você”. Por que pra mim o amor sempre foi sinal de fraqueza, sempre foi o meu ponto fraco, foi através do amor que a dor se instalou e eu não entendia como o mesmo amor que causou tanta dor, seria um amor curador. E foi então que eu entendi que, o meu medo, minha raiva e minha dor não podem ser maiores do que o amor que eu sinto. Pelas coisas, pelas pessoas, pela vida. O amor não é um mar de rosas, mas não ter medo de amar torna as coisas muito mais interessantes.

MENTE SÃ, CORPO SÃO

Uma das grandes (r)evoluções que tenho feito recentemente, é a prática de meditação. Eu sempre fui adepta de uma boa saúde, física e mental, mas me descuidei muito conforme o tempo passava e o meu prazer na vida diminuía. Refletindo sobre todos os caminhos que segui e todas as escolhas que eu fiz percebo que sinto cada vez mais falta de mim. Falta de estar conectada com o meu centro, tenho me sentido muito perdida, sem foco, sinto que estou desistindo de estar conectada com o que é importante para mim e isso está me matando lenta e silenciosamente.

Eu sei que esse parece um artigo de reclamação, mas não é. Na verdade é uma reflexão do quanto eu mudei e tenho tentado evoluir um pouquinho de cada vez. A vida às vezes parece impossível, mas o lema que adotei para esse ano é: “viver um dia de cada vez, quando está muito difícil, eu paro. Olho pro céu, sinto a brisa, respiro e começo novamente”.

E vocês? O que vocês têm feito para melhorar a sua vida e a vida de quem te rodeia?

CONSELHO DO DIA: LEMBRE-SE SEMPRE DE ESTAR PRESENTE NO PRESENTE!

Comentários

Comentários

Na Estrada com as Minas

Mulheres tão particulares, com um único objetivo em comum, viver as melhores (e maiores) aventuras já vistas. Juntas ou sozinhas, nós queremos é viver! E compartilhar nossas experiências para que possamos inspirar cada vez mais, outras mulheres.

«

»

1 COMMENT

O que achou desse post?

  • Pingback: Editorial: as mudanças fazem parte do processo de autocura – Na Estrada com as Minas on 04/06/2018