(Quase) Tudo sobre meu intercâmbio em San Francisco

(Quase) Tudo sobre meu intercâmbio em San Francisco

Depois de muitos anos sonhando e planejando, realizei meu intercâmbio para San Francisco, uma cidade incrível localizada na Califórnia, nos Estados Unidos, no início de 2015. Foi uma experiência marcante, e nesse post vou tentar resumir um pouco de como foi esse período, pra dar um gostinho a quem tem vontade de fazer intercâmbio e/ou visitar San Francisco e também dar algumas dicas (já começo dizendo: visite SF! hahaha)

Planejamento: Desde que estava terminando o Ensino Médio, em 2010, eu já pensava em fazer intercâmbio com duas amigas. Procuramos muitas cidades, muitas agências, estilos de intercâmbio, etc. Tínhamos várias ideias em mente, mas acabamos tendo preferência pela Califórnia porque iríamos no início do ano, época de inverno americano, e por lá o clima não seria tão frio! Acabamos mudando nossos planos e caminhos (mas continuamos muito amigas!) e eu continuei na saga. Elas não teriam como viajar, mas eu consegui juntar um dinheiro trabalhando e isso ajudou a pagar meus gastos. Concluí que ir sozinha seria uma experiência ainda melhor, por uma questão de independência, e, depois de muitos e-mails trocados e visitas a agências… Tcharam! Intercâmbio fechado!

san francisco na estrada com as minas intercâmbio madame tussauds

Agência: Muitas pessoas têm dúvidas em relação a agências, e se perguntam se é realmente necessário. Bem, necessário não é, mas ajuda bastante! Vou relatar aqui a minha experiência, mas não é uma verdade universal. Aliás, se você já fez intercâmbio por alguma agência, deixe seu relato nos comentários também!

Eu entrei em contato com todas as agências possíveis, visitei várias, peguei vários orçamentos, e isso é algo que indico muito pra quem pensa em fazer intercâmbio. Procure mesmo! Você pode trocar vários e-mails com as agências sem compromisso, e isso foi essencial pra mim. A World Study sempre foi atenciosa comigo, desde meus primeiros contatos, lá em 2010/2011. Troquei e-mails com várias atendentes, e todas foram extremamente simpáticas. Eram várias perguntas por dia, várias ideias, mudanças, e sempre num tom de amizade, sabe? Acredito que a agência deve te passar confiança, mostrar que está ali para ajudar em absolutamente todos os seus planos! Além disso, cada agência vai te apresentar diferentes opções de intercâmbio e de escolas, pois cada uma tem parcerias difentes. O atendimento da World Study me conquistou, mas a escola de inglês que me ofereceram também foi um diferencial para fechar o contrato. Vou falar um pouco mais disso no tópico abaixo!

Tipo de intercâmbio: Existem vários tipos de intercâmbio que uma pessoa pode fazer: curso de inglês, faculdade, curso de extensão, trabalho no exterior, trabalho voluntário… Nossa, são muuuuuitas opções! Eu fiquei perdida no início, mas fui descartando possibilidades e terminei com duas: curso de inglês e trabalho voluntário. Optei por fazer o curso primeiro, mas ainda me encanta a possibilidade de voluntariado em outro país, e ainda quero fazer! Minha escolha pelo curso foi complicada, porque eu já era formada em inglês pelo CCAA e inclusive dava aulas de inglês, então fazer um simples curso de inglês não me acrescentaria muita coisa. No entanto, a World Study me apresentou a ILSC, uma escola diferente, em que as aulas não são tradicionais, são uma grade montada pelo aluno. Bom, mais ou menos…

san francisco na estrada com as minas intercâmbio lombard street

Minha escola de inglês: Vou tentar explicar o método da ILSC. Os alunos são nivelados no primeiro dia de aula, são 10 níveis, se não me engano. Eu entrei no A1 (Academic 1), o penúltimo deles. A grade de cada aluno é montada de acordo com a preferência dele, mas geralmente são duas ou três opções por horário. As opções oferecidas também variam de acordo com o nível. São três tempos de aula disponíveis: dois pela manhã e um pela tarde. Na prática, funciona assim: escolhi minhas duas matérias iniciais no meu primeiro dia, e elas duram 4 semanas. Nas minhas turmas, estavam alunos dos níveis I3 (Intermediate 3), I4 e A1. Na última semana dessas matérias, recebíamos uma lista com as matérias disponíveis para os nossos níveis no próximo mês, e escolhíamos em quais queríamos ficar. Deu pra entender?

Eu cheguei em San Francisco numa segunda-feira à noite, por questões de passagem (chegar no domingo seria muito mais caro e eu deixei pra comprar um pouco em cima da hora). Minha agência entrou em contato com a ILSC, e eles me enviaram um e-mail muito carinhoso com todas as instruções para meu primeiro dia de aula. Eu deveria chegar uma hora e meia antes do horário normal para fazer o teste de nivelamento e passar pelo processo de apresentação, conhecer os funcionários, as salas, etc. Essa programação acontece por lá toda segunda-feira, mas abriram uma exceção pra mim, e isso foi incrível!

san francisco na estrada com as minas intercâmbio pier 39

Meu contrato era de menos horas de aula semanais (o que me fez tirar visto de turista, e não de estudante), então eu só estudava pela manhã, mas eu percebi que a maioria dos alunos estudava também à tarde, e inclusive os passeios organizados pela escola só aconteciam depois do terceiro tempo de aula, às 15h. Ou seja, eu tinha que ficar esperando, muitas vezes sozinha, pra poder sair com o pessoal da escola. Isso já estava me deixando pensativa, e quando soube que haveria uma aula de “English through Arts” (Inglês através das artes) no terceiro tempo, corri para a secretaria para saber se eu podia aumentar minha carga horária e qual seria o valor. No dia seguinte, a resposta me surpreendeu: como minha agência tinha parceria com eles, eu poderia fazer isso DE GRAÇA. 0800!!! É claro que aceitei na hora, assinei o documento necessário e fui toda feliz começar minhas aulas.

Não vou conseguir entrar em muitos detalhes sobre a escola (ou então esse post vai ser só sobre isso hahaha), mas a questão final é: valeu a pena? E isso me deixa confusa, porque eu, sinceramente, não acho que aprendi muito de inglês. Como disse, eu já tinha uma bagagem muito extensa, então não consegui aproveitar tanto, até porque a maioria dos alunos era de níveis inferiores ao meu, então minha turma nunca era realmente nível A1. O nível A2 simplesmente não existia na escola, eu e outra menina brasileira fomos as primeiras a entrar nesse nível, e até montaram uma turma de inglês acadêmico somente para alunos A1 e A2, mas mesmo assim não foi tão proveitoso. Outro ponto negativo foi o material didático. Apenas as aulas de inglês acadêmico têm livros próprios, e nas outras recebemos apenas folhas dos professores, o que dificulta muito a nossa vida. Como guardar tanto papel? Um ponto muito positivo é o atendimento por lá, os funcionários são incríveis e estão sempre animados com seus alunos e suas matérias. As aulas são bem interativas, além das atividades diferentes, como os passeios que acontecem todo dia à tarde e o festival da sopa que foi feito no St Patrick’s Day, por exemplo (mas, infelizmente, nem todas as atividades tinham muita participação dos alunos). Eu recomendo a escola para quem tem nível de inglês básico ou intermediário. Para quem já tem nível avançado, acredito que um curso na sua área de interesse ou mesmo um emprego é muito mais desafiador!

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Hospedagem: Como indicado por todas as agências, saí do Brasil com apenas um mês de hospedagem acertado, numa casa de família. Essa sugestão é dada porque muitas pessoas conseguem outro tipo de hospedagem quando chegam ao país (por exemplo, conseguem alguém pra dividir um apartamento) e se arrependem de ter pago por todo o período. Essa primeira casa em que fiquei era de uma moça que morava sozinha e tinha um sótão com vários quartos, que ela alugava para estudantes. Eu fiquei num quarto diferente, no andar principal, que era da filha dela, e muito superior aos outros quartos. Enquanto as outras meninas que moravam lá reclamavam dos quartos pequenos, do banheiro sujo e do sótão ser trancado à noite, eu aproveitava uma cama de casal e o banheiro principal da casa. (!) Não entendi nada, até descobrir que uma outra menina da mesma escola que eu tinha ficado naquela casa e reclamou com a escola porque o lugar era ruim. Acredito que fui “privilegiada” por conta disso. Fiquei lá durante um mês porque tinha um bom quarto, mas as desvantagens pesavam assim mesmo: a comida não era muito boa, uma vez por semana o cardápio era Cup Noodles (!) e a moça não fazia questão de interagir com nenhuma de nós, era como se apenas alugasse o quarto e deixasse a comida pronta.

Preferi trocar de casa depois desse primeiro mês e encontrei uma em que poderia ficar por 6 semanas, porque a família iria viajar depois disso. Fui pra lá e adorei! A família era bem legal e querida, a host mother era bem simpática, conversava com a gente (uma outra menina da minha escola também morava lá), levava para passear, fazia o jantar de acordo com nosso gosto… Enfim, outra vida! Infelizmente eu já sabia que só ia poder ficar um mês e meio por lá, e me restariam 2 semanas para passar em outro lugar. Como as outras opções de casas de família não me pareceram muito boas (eram muito distantes, e eu gastaria muito mais tempo e dinheiro com transporte), gostei da ideia de ficar numa residência estudantil, e passei duas semanas no The Monroe Residence Club. Foi uma experiência completamente diferente! Meu quarto era compartilhado com uma menina, o banheiro era compartilhado com o quarto do lado (essa foi a parte que mais me incomodou, não por compartilhar, mas porque a banheira de lá escorregava muito e era muito estreita, além do chuveiro esquisito, era bem ruim pra tomar banho!), o café da manhã e o jantar eram servidos num refeitório, etc. Foi legal dividir o quarto com alguém (não sei por quê eu pedi quarto individual das outras vezes, na verdade) e estar num lugar movimentado também.

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Passeios: Agora sim a melhor parte de tudo isso! Passear pela cidade! Se tem uma coisa que posso afirmar é que em San Francisco é quase impossível ficar entediada. Por lá tem muita coisa pra fazer, a cidade é sempre agitada e com programação para todos os gostos. Além dos pontos turísticos clássicos, como a Golden Gate Bridge, a Lombard Street e a ilha de Alcatraz, existem muitas atrações diferentes. Muitas mesmo! Vou citar aqui alguns dos meus favoritos: o Pier 39 e o Fisherman’s Wharf (que ficam seguidos um do outro) são cheios de lugares maravilhosos pra visitar (e leões marinhos!!!). Além da experiência de andar de street car para chegar até lá, na caminhada você tem uma vista maravilhosa, vários restaurantes de frutos do mar, o museu de cera Madame Tussauds que é impressionante, o Ripley’s Believe it or not, que não é chamado de museu, mas de “odditorium” e reúne muita coisa estranha, engraçada e curiosa… No Pier 45, tive uma surpresa muito agradável, que foi conhecer o Musée Mécanique, que reúne uma coleção de fliperamas e outros tipos de máquinas antigas que funcionam a base de moedas (geralmente de 25 centavos).

Andar de cable car também nem precisa falar, né? Explorar as subidas e descidas de San Francisco é uma aventura imperdível! E as faixas de pedestre em arco-íris no Castro, o bairro LGBT da cidade? E a riqueza encontrada no Asian Art Museum? Outro lugar que eu adorei visitar foi o California Academy of Sciences, que fica dentro do Golden Gate Park – aliás, você TEM QUE IR lá mais de uma vez, porque esse parque é imenso e abriga muitas atrações, como o deYoung Museum e o Conservatory of Flowers. Dentro do imenso Presidio of San Francisco, outro museu vai encantar os fãs do mundo mágico da Disney: o Walt Disney Museum, que conta toda a história do responsável pelo Mickey e companhia, toda sua trajetória no mundo dos desenhos de uma forma emocionante. (Chorei? Imagina…)

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Deixo como sugestão os sites Funcheap SF, que lista toda a programação gratuita da cidade (tem muita coisa legal, desde aula de yoga ao ar livre até desfiles e museus com entrada livre), e Gofobo, que permite que você se inscreva para assistir a estreias de filmes de graça! Bom pra treinar o inglês. 😉

Compras: A Union Square é o principal local para fazer compras na cidade, e vale a pena visitar (principalmente a Forever 21 e a loja da Disney ♥), mas é cheio de lojas caras! Pra quem quer economizar e quer visitar um outlet, a má notícia é que não há nenhum por lá… mas você pode ir de Bart! O único que visitei foi o Premium Outlets, em Livermore, e achei que valeu a viagem. Para comprar lembrancinhas (ou mesmo presentes pra você), a boa é rodar a Chinatown! São muitas ruas e os preços vão mudando, então é bom se aventurar pra encontrar os melhores preços. Por lá, eu comprei desde lápis e chaveiros até minha mala de viagem. Um lugar que virei frequentadora assídua foi a Target localizada na Mission Street, dentro do shopping Metreon. Eu adorava andar até lá e gastar um bom tempo vendo tudo, a loja é enorme e vende também roupas de qualidade ótima e preços bem em conta.

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Viagens: O Bart de San Francisco leva para diversas cidades nos arredores, na área conhecida como Bay Area. Assim, é fácil visitar cidades como Berkeley (uma cidade universitária que tem uma vibe incrível) e Daly City, ou até mesmo atravessar a Golden Gate e passear por Sausalito – dizem que a travessia de bicicleta é muito legal, mas eu não sei andar de bicicleta… hehe A visita às sedes do Google e do Facebook também são passeios bem cobiçados, mas acabei não indo porque o caminho era bem complicado, e me parece uma ideia melhor pra quem puder alugar um carro. Acho que vale muito a pena explorar os arredores da cidade!

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Ufa! O post foi bem longo (e olha que não falei nem 1/10 hehe), mas espero que tenha sido útil para quem pretende visitar a cidade ou fazer um intercâmbio. Aliás, se você não pretendia visitar… Acho que você mudou de ideia, né? hehe San Francisco é uma cidade de liberdade, de pessoas que convivem com as diferenças, que podem ser o que quiserem, uma cidade alegre, calorosa, cheia de lugares maravilhosos pra apreciar e vivenciar. Eu tenho que certeza que você vai voltar cantando a famosa música do Tony Bennett: I left my heart in San Francisco…

Ah, e se gostou desse post, eu já fiz um no meu blog pessoal contando 10 curiosidades sobre San Francisco, que você pode ler aqui.

 

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