Quase Santiaguina – por Natália Médici

Quase Santiaguina – por Natália Médici

Em Julho desse ano passei minhas férias na capital chilena e, meu deus, que cidade incrível. Toda cidade que eu vou da América Latina eu deixo um pedacinho do meu coração e levo um pedacinho dela comigo, mas Santiago me deu um pedação, e levou um pedaço considerável também.

O primeiro presente da cidade é logo no avião, se você for durante o dia. Você pode odiar viajar de avião, mas quando o piloto diz “acorda ai, babão, e olha pela janela que tá lindo” (tradução livre por mim mesma) acontece quase que um programa de auditório no avião onde todo mundo diz “OOOOOH” juntos. Os Andes são maravilhosos, muito mais que qualquer foto. Pode ser besteira, mas ver essas montanhas rasgando o céu pela primeira vez, miga… É quase inacreditável, da vontade de ir lá morder pra ver se é de verdade.

Eu tenho uma coisa com cidades que eu consigo me locomover. Se eu consigo andar na cidade por mais de uma esquina sem usar o maps, eu vou me sentir em casa. Eu podia até andar sem internet lá sem medo porque é fácil de andar! E em Santiago eu conto nos dedos as vezes que usei o transporte público, fazia tudo a pé sem me perder (e eu sou muito perdida) e era incrível.

Claro, era uma opção minha e porque eu estava no centro, já que o metrô de lá é ótimo e liga todos os pontos da cidade. Mas, como bom projeto de cientista política que sou, eu adorava andar na cidade porque tem protesto todo dia e os grafites sobre política são incríveis. Lembrando que o Chile sofreu uma das piores ditaduras da América Latina, ditadura peronista, com um dos piores golpes de Estado, sendo o Palacio de La Moneda bombardeado (#AdellanteResiste). E que o Chile foi o paraíso neoliberal na América Latina, menina dos olhos dos Estados Unidos aqui, a diferentona que seguiu a cartilha do consenso de Washington como se fosse Bíblia. Então você pode imaginar a erupção política que é aquele lugar. Maravilhoso.

Você pode também não compartilhar dos meus gostos meio estranhos, mas andar pela cidade é muito gostoso também. Tem lugares tão gracinhas e o clima é tão agradável, fora que é uma cidade bem segura. Carioca que sou, andava meio ressabiada, mas não vi nenhuma violência durante todo o mês em que eu estava lá.

Santiaguinos são bem receptivos no geral. Se você ficar amiga de algum, ele vai querer te mostrar a cidade e te levar para tomar um terremoto (aceite, é uma delícia). É bem seguro em relação a assaltos e em relação a mulheres e casais homossexuais também. Recebi alguns olhares, mas no geral me senti mais segura que no Rio, inclusive para andar a noite sozinha ou acompanhada de meninas. Lembrando que estou falando da capital, o cenário muda se você for para cidades como Valparaíso.

Agora vamos ao que fazer em Santiago:

 

#1 Cerro San Cristobansantiago

 

É o “Cristo” deles, um morro alto que você vê a cidade toda lá decima e tem até uma estátua religiosa também lá em cima. A cidade é cheia de Cerros, não tanto quanto Valpo, mas tem bastante. Eu recomendaria esse ser seu primeiro programa na cidade, é legal ter uma visão de cima da cidade e dos Andes para se localizar e também curtir.

Para chegar lá você pode descer na estação de metrô Baquedano, atravessar o rio em direção a Bellavista e seguir pela rua Pío Nono (grava essa rua que você vai voltar a noite aqui em algum momento).

É um parque metropolitano e na porta você tem a opção de subir de teleférico ou a pé. Eu preferi subir a pé porque as vistas que vão aparecendo conforme você vai subindo são incríveis, mas se você tiver sem tempo ou muito cansado, o teleférico é uma ótima opção.

 

#2 Mercado Central

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Se você tiver subido de manhã o Cerro, você vai descer querendo comer um boi. É perto, atravessando o rio de volta e seguindo pela avenida que o margeia em direção ao Museu de Bellas Artes (é depois dele, mas é perto e o Museu é uma boa referência) você vai achar o Mercado. Você também pode pegar o metrô em Baquedano e descer em Cal y Canto que vai te deixar bem próximo.

Os restaurantes do centro do Mercado são mais turísticos, mas os do círculo externo são mais baratos e é bastante comida gostosa. Coma muito salmão lá, é muito gostoso.

Infelizmente lá fecha cedo, então é só no almoço mesmo.

#3 Museu de Belas Artes e Museu de Artes Contemporaneas

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Um museu é germinado no outro, então eles podem ser feitos no mesmo dia. Descendo na estação Belas Artes, os museus ficam perto do rio e tem um parque em volta muito agradável para um piquenique entre um museu e o outro.

Os museus mantidos pelo governo são de graça lá, então qualquer dia é dia de museu. As exposições tanto fixas quanto de temporada costumam ser muito legais.

#4 Plaza de Armas

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Principal praça da cidade, sempre com um grupo musical chileno tocando e com muito movimento. É agradável para sentar, apreciar a música e a cultura local enquanto toma um gelato ou come uma empanada.

Para chegar lá é só descer na estação que leva o nome da praça.

#5 Palacio de la Moneda

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Depois de respirar a cultura de Santiago lá na Plaza, você andar até o Palacio de La Moneda ou pegar o metrô até a estação Universidad de Chile. Tem a troca de guarda as 17h que é bem legal e você pode visitar um pátio externo do Palacio. Infelizmente Michelle não vai te receber para um café com biscoitinho mas é legal de ver onde foi o golpe chileno e onde é o centro de poder do país.

#6 Andes

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Várias empresas fazem passeio aos Andes, desde caminhadas e cavalgadas a esquis e mergulhos termais. Não importa como você pretende aproveitar essa cordilheira, vá. Cajón de Maipo, Vale Nevado… Vale tudo.

Existem empresas mais em conta e outras para gringos, então pesquise bastante antes.

#7 La Chascona

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A casinha de Pablo Neruda. Ou uma delas porque são 3 né. Um pouco caro para entrar, mas aos domingos os museus da cidade, todos eles, são de graça, o único problema são as filas. Uma casinha essencial se você quer entender tanto o autor quanto o momento político do golpe do Chile e suas consequências.

Para chegar lá você vai como se fosse para o Cerro San Cristoban só que no lugar de subir, vire à direita, terão placas te indicando o caminho.

#8 Museu de Direitos Humanos

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Como país que também sofreu com a ditadura, podemos ter muita empatia com o momento vivido pelos hermanos. O museu e bem forte e lembra esse capítulo negro da história chilena, mas para que não se esqueça e para que nunca mais aconteça, é importante conhecer.

Para chegar lá basta descer na estação Quinta Normal.

#9 Museu de Arte Pré Colombiana

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Pertinho da Plaza de Armas, o museu mostra a cultura e a arte dos povos que viviam naquela região antes da chegada dos espanhóis. É um museu que vale bastante a pena, quase dá pra entender a Isla de Pascóa através dele.

Para chegar lá é só descer na estação Plaza de Armas, é muito pertinho.

#10 Cerro Santa Lucia

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Acho que nada melhor que dar adeus a cidade olhando a beleza dela de cima de novo. É um cerro bem mais baixo que o outro, mas com uma arquitetura e uma vista que compensam a falta de altura. Abrigo de uma antiga fortaleza de espanhóis, o cerro proporciona fotos ótimas para além de fotos da vista maravilhosa.

Descendo na plaza de armas e seguindo pela rua Mac Iver você vai estar bem próximo do seu destino.

#BÔNUS

valparaiso

 

Se você tiver tempo, recomendo muito ir as cidades vizinhas Viña del Mar e Valparaiso.

Valparaíso é encantador, além da outra casa de Pablo Neruda, a cidade vibra. É toda colorida, grafitada, linda, cheia de cerros com vistas incríveis. Como é uma cidade portuária, a mistura de cheiros e sons e pessoas é incrível. Só uma volta por ela já é uma imersão cultural tremenda.

Viña Del Mar é mais gourmet, digamos assim. É pra lá que os santiaguinhos ricos vão a praia, vale a pena pela beleza das praias e pelos restaurantes maravilhosos (embora um pouquinho caros).

Indo para estação Pajaritos você chega no terminal Pajaritos onde você pode pegar um ônibus para ambas as cidades, 1h e 30 de viagem. Chegando em qualquer uma delas você pode ir de uma a outra pelo trem que liga as duas e é muito rápido, papo de 10 minutinhos.

DICA PARA SANTIAGO EXPRESS

Se você ta sem muito tempo, é comum empresas fazerem tours de graça que saem de manhã e de tarde da Plaza de Armas e do Museu de Belas Artes. Os tour são mantidos por gorjetas e te mostram as principais partes da cidade em menos tempo.

SANTIAGO A LA NOCHE

Para bailar la bamba em Santiago tenha em mente que é um pouquinho diferente. Eles curtem muito reggae e ritmos latinos, toca muito nas festas deles. Uma vez ou outra você pode até ouvir um funk brasileiro, mas não espere malandramente, mas fácil ouvir um dança da manivela.

Se você já foi a Buenos Aires ou costuma ir nas baladas no Brasil, vai sentir a diferença. Os santiaguinos não ficam até de manhã, começa um pouco mais cedo e termina mais cedo. Outra diferença é a pegação. Se você pretende tomar um terremoto, perder a linha e acha-la dentro da uma boca alheia, repense. Até rola pegação, mas não é nem de perto o que a gente ta acostumado.

Apesar de diferente, as festas em Santiago são muito divertidas e valem muito a pena.

#1 LA PIOJERA

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Um clássico. Um bar tipicamente chileno e criador do famoso Terremoto, carro chefe da casa. Um ótimo lugar para começar a noite, já que fecha cedo, as 22h. Existem 3 bebidas, o Terremoto, Maremoto e Tsunami, eu gostei mais do Terremoto e é o mais famoso que se encontra em todo lugar, mas você pode fazer a experiência completa se quiser mandar a escala Richter lá pra longe.

Pertinho do Mercado Central, basta descer no Cal y Canto e deixar seu fígado te guiar até lá. E todos os bêbados da região também.

#2 MIERCULES PO

Uma festa para todos os intercambistas da cidade que acontece todas as quartas, cada semana num lugar diferente. Uma festa de gringo mas muito divertida.

Veja na internet o local exato da festa antes de tomar vinho e sair por Bellavista

#3 Pio Nono

Principal rua do bairro boêmio Bellavista. Se você não sabe para onde ir, a Pio Nono é uma boa pedida. É uma rua perto de universidades que costuma atrair muitos estudantes com os vários bares e boates da área, tudo numa rua.

Para chegar nela basta descer na estação Baquedano e atravessar o rio.

#4 TOCA UMA PRAS GAYS

É, a cena santiaguina é boa. Não é a loucura do BBAA ou o carão do Rio, mas é bom. As principais baladas e bares gays também estão na Pio Nono e arredores de Bellavista.

Vou dar destaque pra Bunker com seus shows de drag e para Vox Populi, um pub muito agradável.

Infelizmente, como em quase toda balada gay do mundo, temos muito mais viado que sapatão.

ONDE FICAR EM SANTIAGO

Eu fiquei num hostel que eu trabalhei para pagar a estadia através do World Packers, mas vou falar disso mais tarde. O hostel ficava muito bem localizado, perto da Plaza de Armas, o que me permitia fazer tudo a pé.

Se você gosta de um tipo de viagem parecida com a minha, recomendo procurar hostels por essa área. Eles são mais ou menos o mesmo preço e te oferecem a possibilidade de conhecer muitas pessoas diferentes para explorar a cidade com você, principalmente se você for sozinha como eu.

Existem bairros mais caros e tranquilos afastados também, mas não é muito minha cara.

ONDE COMER EM SANTIAGO

Se você não quer gastar muito, recomendo que procure um lugar onde você possa cozinhar. Um hostel com cozinha é uma boa idéia. Comida em Santiago não é barato, vale bastante a pena ir no mercado fazer umas comprinhas e cozinhar. Destaque especial para o saquinho de 1kg de mariscos congelados por 2 mil e poucos pesos. Ai que saudades desse lugar.

INDO E VINDO DO AEROPORTO

Bem possível pegar transporte público e muito rápido também, mas minha opção foi o transporte compartilhado que oferecem. Procurem empresas como Transvip e Delfos, que tem guichê no aeroporto, e paguem nos guichês. Cuidado com transporte piratas! O transporte fica em torno de 7 mil pesos para o centro.

CÂMBIO EM SANTIAGO

Perto da Plaza de Armas tem uma rua só de casas de câmbio onde você pode pesquisar o melhor câmbio para trocar. E sim, o câmbio em Santiago é melhor que o câmbio no Brasil então vale realmente a pena trocar lá.

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Mulheres tão particulares, com um único objetivo em comum, viver as melhores (e maiores) aventuras já vistas. Juntas ou sozinhas, nós queremos é viver! E compartilhar nossas experiências para que possamos inspirar cada vez mais, outras mulheres.



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