Por que fazer intercâmbio em Malta

Por que fazer intercâmbio em Malta

Era 2016, Carnaval no Rio de Janeiro , auge do verão e decidi usar o feriadão emendando com uns dias de férias para fazer um curso de inglês no exterior – o tal do intercâmbio. Apesar de parecer pouco tempo, estar 15 dias em um país ouvindo o idioma e exercitando seus conhecimentos em um curso é super válido para quem quer perder a vergonha de conversar e desenferrujar o inglês. E de quebra, fazer turismo, é claro! Afinal, as aulas vão de segunda a sexta-feira e você tem os finais de semana livres para explorar o local.

Quando a gente pensa em inglês, logo vem à mente algum lugar dos Estados Unidos, Canadá, Irlanda ou Londres , não é mesmo? Eu também pensei em todos esses lugares, mas acabei optando por Malta como o meu destino nesse intercâmbio, e acho que não poderia ter feito uma escolha melhor. Eu sabia muito pouco sobre esse país europeu e adorei descobrir esse lugar lindo e cheio de boas surpresas. Quando digo que fui para lá, o que mais ouço é: Mas por que Malta? O que tem em Malta? Nesse post, não vou falar muito do meu intercâmbio em si, já que fechei tudo diretamente com uma agência. O que eu quero mesmo é contar um pouquinho sobre as belezas desse país e de como essa é uma ótima opção de destino caso você também esteja pensando em estudar fora.

A República de Malta fica na Europa e, apesar de ser constantemente chamada de ilha, é na verdade um conjunto de lindas ilhas no mar Mediterrâneo, sendo Gozo e Comino as principais delas. Malta é um dos menores países do mundo, com 316km² de área – ou seja, é do tamanho de uma cidade brasileira, como Belo Horizonte. O país é tão pequeno que é difícil não chamar as cidades de bairros. Mesmo com uma estadia curta, você consegue conhecer muitos lugares legais por lá. O transporte que mais utilizei foi o ônibus e funciona direitinho: um ticket é válido durante o dia inteiro.

O clima lá é bem ameno se compararmos com outros países europeus. Fui em fevereiro, que ainda é inverno e, enquanto lugares como Irlanda e Londres marcavam temperaturas entre 2 e 10 graus, os dias em Malta eram quase sempre de céu azul e ensolarados. O friozinho é bem tranquilo de encarar para nós, brasileiros. Se optar por ir no verão, você vai encontrar o país bem mais cheio, mas vai poder aproveitar as lindas praias de lá.

A capital de Malta é Valetta e ela foi nomeada a Capital Européia da Cultura do ano de 2018. Lá você encontra belas construções e ruazinhas que dão vontade de se perder. Lá também ficam os lindíssimos Jardins Superiores de Barakka e há uma tradição que pode ser vista todas as tardes: a salva de tiros de canhão. Chegando cedo, você garante um lugar legal para ver o ritual e ainda aproveita a bela vista.

Malta é um destino muito interessante para turismo de modo geral, mas principalmente para quem está buscando o lugar ideal para fazer um intercâmbio. Inglês é o segundo idioma do país e um número enorme de escolas de idiomas se encontra na cidade de St. Julians, que é considerado o local do agito justamente pela grande concentração de estudantes do mundo todo. Lá também ficam localizadas boa parte das acomodações para estudantes: apartamentos individuais ou os coletivos bem na vibe ‘república’.

E para agradar esse público mais jovem, é em Paceville, distrito de St. Julians, que ficam as boates – uma ao lado do outra. A entrada é gratuita, você só paga o que consome, então dá para ir de uma festa para outra até descobrir a que você mais gosta. Geralmente as escolas organizam festas para os estudantes, com drinks grátis e muita animação, tudo para promover a integração entre os alunos. Como fica tudo pertinho – escolas, acomodações, boates – é comum que os estudantes saiam todas as noites para se divertir. O meu apartamento ficava a dois minutos de caminhada da rua do agito, então todas as noites a gente encontrava a galera, dava uma voltinha pelas boates, curtia a música e tomava alguns drinks. Mas sem exageros, porque no dia seguinte tinha aula!

Em St. Julians, além das escolas de inglês, você encontra uma grande diversidade de barzinhos e bons restaurantes. O local já foi uma vila de pescadores e hoje é um lugar imperdível: o visual é muito bonito tanto de dia como à noite e é uma delícia caminhar no calçadão da Spinola Bay. E dá para fazer isso tranquilamente, pois Malta é um país super seguro. Lá, você também vai conhecer o monumento LOVE, dedicado ao amor <3 Ele é feito em mármore e fica em uma ponte, mas escrito de cabeça para baixo, para que o seu reflexo apareça na água da forma correta, assim como a sua sombra na calçada. Muitos turistas aproveitam as grades da ponte para colocar seus cadeados do amor (os love locks), mantendo essa tradição que começou na França e se espalhou mundo afora.

Estando em Malta, você não pode deixar de conhecer a ilha de Gozo. O tour tem duração de um dia e é bem comum nos finais de semana de quem está no país. Se você estiver fazendo intercâmbio, geralmente as escolas organizam esse passeio para os alunos (pago à parte), ou se preferir, pode fechar o passeio em uma agência de turismo. A travessia é feita de ferry e é super rápida. Lá, você irá circular pelo lugar e apreciar a lindíssima arquitetura do centro histórico.

O ponto alto do passeio para mim foi conhecer a Azure Window. Mas infelizmente, esse é um ponto turístico que os novos visitantes de Malta não poderão conhecer. Recentemente, o país apareceu com bastante força na mídia depois que a Azure Window foi destruída pela força da natureza, desabando após fortes ventos e tempestades. O local, que já tinha sido cenário para a famosa série Game of Thrones, era um dos cartões postais de Malta. Sem dúvida, foi uma perda muito triste! Mas pelo que pude ouvir de outras pessoas, ainda vale a pena ir até lá, principalmente no verão, para fazer mergulho ou só relaxar nas águas azuis do local.

Um lugar que também serviu de cenário para Game of Thrones e você ainda pode conhecer em Malta é a medieval Mdina. Antiga capital do país, ela fica no alto de uma colina e é toda cercada por muros. Conhecida como Cidade Silenciosa, tem pouquíssimos moradores (até onde eu soube, eram menos de 500) e conserva toda sua arquitetura tradicional, com casas de pedra e becos estreitos. Próximo ao mirante da cidade, você encontra cafés e restaurantes. A cidade é pequenininha e você consegue conhecer tudo caminhando por suas ruas em um único dia.

Quer mais de Malta na telinha? O filme Popeye, gravado em 1979 e estrelado por Robin Williams, foi filmado lá. O local, que serviu de cenário para o filme, hoje é um museu aberto à visitação, o Popeye Village Fun Park. Lá, você confere a vila cenográfica original, composta por casinhas rústicas (a casa do marinheiro pode ser vista por dentro também), interage com os personagens Popeye e Olivia e pode participar de diversas atividades, como pequenas esquetes, jogos, brincadeiras e até mesmo atuar na ‘gravação’ de um filmezinho! Se o tempo estiver bom, também é possível fazer um passeio de barco ou até desfrutar de um banho na belíssima baía onde o parque está situado, a Anchor Bay.

Malta fica coladinha no lado sul da Itália, então se programe para fazer um bate-volta de ferry até a Sicília. Em um dia dá para conhecer o vulcão Etna, o mais alto da Europa e ainda ativo, almoçar uma bela massa em uma cantina tradicional, comer cannolis de sobremesa… Ah, ainda falando sobre a Itália, é bom lembrar que não existem voos diretos pra Malta saindo do Brasil, mas a boa notícia é que sempre dá para aproveitar um pouquinho as escalas, que geralmente são em Roma : fique atento a isso quando for comprar sua passagem! No meu voo de volta, a escala tinha duração de 7 horas, então deu tempo de conhecer o Coliseu por fora e também jogar uma moedinha na Fontana de Trevi. Para conseguir fazer tudo sem perder a hora do voo, evite encarar o trânsito: opte pelo trem que parte do aeroporto mesmo e tem estações próximas a diversos pontos de interesse, como o Coliseu e o Vaticano.

Outras informações:

A moeda de Malta é o euro. O país faz parte do Tratado de Schengen, então como turista, você pode permanecer em Malta sem precisar de visto (assim como os países desse link aqui) por até 90 dias. Basta observar os requisitos necessários para a entrada: passaporte válido por pelo menos 6 meses, passagens de ida e volta compradas, comprovante de hospedagem, assistência viagem para turistas, no valor mínimo de 30.000 euros em caso de doença ou acidente. Embora nunca tenham me pedido isso em nenhuma viagem, você precisa ter uma forma de comprovar que tem dinheiro suficiente para o tempo de permanência indicado nas suas passagem (mesmo que não vá gastar todo esse valor). Essa quantia varia um pouco de país para país, mas de modo geral fica entre 35 a 50 euros por dia. Ou seja, como eu fiquei em Malta por 15 dias, precisei de um valor entre 525 e 750 euros. Esse valor pode ser em dinheiro vivo mesmo, travel money ou cartão de crédito.

E aí, ficou curioso para conhecer esse destino? Eu me surpreendi com Malta e você com certeza também vai gostar desse país.

Está pensando em fazer intercâmbio em outros lugares? Veja algumas dicas aqui e aqui.

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34 anos de estrada, adora se perder por aí, mesmo com um mapa debaixo do nariz. Vegetariana, pesquisadora e eterna curiosa do mundo.



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