MYANMAR: O PAÍS ONDE DEIXEI MEU CORAÇÃO – POR ISA SOUZA

MYANMAR: O PAÍS ONDE DEIXEI MEU CORAÇÃO – POR ISA SOUZA

Pisei os pés pela primeira vez na Ásia no dia 18 de dezembro de 2017, em Bangkok, capital da Tailândia. Quatro dias depois estava entrando em um dos países mais diferentes que já conheci em toda minha vida e pelo qual me apaixonei incondicionalmente: o Myanmar.

Talvez você nunca tenha ouvido falar do Myanmar, talvez o conheça por outros nomes que ele já teve como Burma e Birmânia, mas esse país tem virado a cada ano que passa mais e mais atrativo para turistas de todo o mundo. E o melhor: para todos os públicos. Seja você mochileiro (meu caso) ou viajante de luxo, o Myanmar certamente é pra você.

Fiquei 9 dias por lá. Cheguei por Mandalay e fui embora por Yangon. As duas cidades são as únicas com aeroportos internacionais e também são as únicas portas de entrada para turistas brasileiros que escolhem a via terrestre para chegar. Nós precisamos de visto, porém não se preocupe. O processo é todo online e o visto custa 50 dólares.

Bom, mas o que tem pra ver por lá? Templos! Muitos templos! Vamos ao meu roteiro?

1 – Mandalay

U Bein Bridge

Mandalay seria apenas uma cidade de entrada no país, já que no dia seguinte iria pegar um ônibus pra Bagan, a cidade mais famosa do Myanmar. Só que por ser alta temporada, os ônibus se esgotaram e eu tive que ir de avião no dia seguinte do meu planejado. Assim sendo, comecei a pesquisar o que podia ser feito em Mandalay e arredores. Como cheguei no dia 22 de dezembro à tarde, fui correndo para ver o pôr do sol na U Bein Bridge, considerada a maior ponte de madeira para travessia urbana do país. A ponte é dentro da cidade, mas é preciso pegar um táxi ou alugar uma e – bike (motos elétricas e recarregáveis) para chegar até o local. Minha dica é fazer parte da travessia a pé e, para voltar, pegar um barco – que você terá uma visão frontal da U Bein. É lindo mesmo.

2 – Mingun

Cidade a apenas 1 hora de Mandalay por barco, Mingun tem dois dos templos mais lindos que vi em toda minha vida: Hsinbyume Pagoda e Pahtodawgyi (nomes impronunciáveis). Pra resumir de forma simplista, pagoda é uma espécie de templo. Mas, voltando ao roteiro. Saímos às 9h do porto de Mandalay e, em uma hora, estávamos em Mingun. Chegando lá, muitos motoristas de tuktuk ou carro de boi (sim, eles usam carro de boi ainda – e como táxi) estarão no local. Pegamos um tuktuk, que incluiu 5 lugares pra conhecer. Mas, os mais lindos e imponentes foram os dois que falei. Em cada um, levamos uma meia hora.

Hsinbyume Pagoda

Pahtodawgyi

3 – Bagan

Depois de visitar Mingun, pegamos nossas coisas no hostel (Downtownat Mandalay – super recomendável) e fomos para o aeroporto (beeeem longe).

A viagem que de ônibus duraria entre 6 e 8 horas, foi de apenas 30 minutos. O Myanmar é um país extremamente pobre e viajar de avião é algo muito incomum para os locais. Fui de Myanmar National Airlines e a passagem foi R$ 342. Cheguei a Bagan já no finalzinho do dia e meu amigo e eu fomos diretor pro hotel (Shwe Nadi GuestHouse – não recomendo). No dia seguinte bem cedo tinha um sonho pra realizar, então jantamos perto do hotel e acordei às 4h.

Meu sonho era voar de balão em Bagan, que é conhecida como “cidade dos 3 mil templos”. Alguns lugares falam 2 mil templos. O importante, no entanto, é a lindeza que é Bagan do alto. A decisão de voar de balão uniu sonho e muito esforço de juntar a grana ao longo do ano. O passeio foi caro – 340 dólares – mas apertei muito pra poder fazê-lo. E valeu cada segundo. Vi o nascer do sol de cima de um balão. É emocionante, mas se a grana tiver curta, deixe de lado. Bagan vai valer a pena independente disso.

Depois do passeio, meu amigo e eu alugamos uma e – bike pra conhecer os templos. Ele foi à minha garupa e nós desbravamos Bagan por dois dias. Sem roteiro. Só indo pra onde a gente decidia na hora. Tem alguns templos mais famosos e “imperdíveis”, mas nós decidimos não seguir esses roteiros prontos. O que diria que é imperdível é ver o pôr do sol de cima de algum desses templos.

TEMPLOS – BAGAN

4 – Lago Inle

Depois dos dias maravilhosos em Bagan, partimos pra NyaungSwhe, a cidade mais próxima do Lago Inle, local que abriga diversas comunidades ribeirinhas. A viagem (10 dólares) era para durar umas 8 horas, mas nosso ônibus quebrou e chegamos 12 horas depois, com um frio de 10 graus. Por lá ficamos dois dias. Cidadezinha fofa e pequena pegamos nossa bike (de graça no hostel Song of Travel – o melhor da minha vida!) e exploramos o local.

No roteiro estiveram a vinícola RedWinery (em que fomos por duas vezes ver o pôr do sol) e o passeio do Lago Inle em si. No passeio, vimos como os locais vivem e sobrevivem economicamente. Dentre as atividades, está à pesca, a fabricação de prata e seda da flor de lótus (não sabia que existia seda da flor, mas vimos todo o processo, que é todo manual), bem como fabricação de cigarros e plantação de tomates e abóboras na água. O almoço estava incluído no passeio e foi em uma casa de um morador. Pra eles, é uma honra receber gente de fora.

Ah! Outra atividade inclusa foi ver os pescadores do lago. Só que foi meio frustrante. Até então não sabíamos que esses pescadores típicos (joga Myanmar no Google que você encontrará) eram na verdade “atores”. A pesca hoje é feita com rede e como eles perceberam que mostrar que ainda existem pessoas que pescam com uma espécie de funil enorme de aço atraía a atenção, eles resolveram permanecer com a “tradição” por meio de pessoas locais. Tudo bem, não reclamei e nem acho que estão errados. Mas vá sabendo que é isso: um show.

5 – Yangon

Depois de uma estadia deliciosa em uma cidade pequena, pegamos um avião (que custou R$ 438) e fomos parar em Yangon. Moderna, porém barulhenta e poluída, vimos asfalto depois de um tempo, rs. Nosso objetivo de chegar a Yangon era poder pegar um avião para o Camboja, já que voltar para Mandalay era geograficamente uma péssima decisão.

Yangon é frenética, como muitas cidades asiáticas. E o birmanês buzina pra TUDO. Tudo mesmo. Então espere realmente muito caos. Com todo esse susto inicial, no nosso roteiro turístico esteve apenas a Shwedagon Pagoda, um templo gigante que é possível visualizar de diversos pontos da cidade e que tem cerca de 2.600 anos. Ali, apesar de abarrotado de turistas, existe uma paz que contrasta com a cidade em si. Por lá vi pequenas aprendizes de monja orando pra Buda e foi um momento surreal. Também foi o momento de agradecer: o Myanmar mexeu comigo como nenhum dos outros países que conheci na vida. A todo o momento o país me mostrou que apesar da pobreza, dos problemas, de uma recente ditadura, é possível sempre seguir e recomeçar. E com sorriso no rosto como ninguém.

Curiosidades do Myanmar

  • O país viveu uma ditadura até 2011, que havia começado em 1962;
  • A primeira eleição presidencial foi em 2016;
  • Homens e mulheres usam saia. Elas se chamam longyi e é muito comum e nada vergonhoso para eles;
  • As pessoas são muito simpáticas e muito carinhosas entre elas. Sério! Os homens mesmo andam muito abraçados pela rua e ninguém olha estranho pra isso;
  • Todo mundo também usa a tanaka, que é uma propriedade retirada de uma árvore de mesmo nome e serve como protetor solar;
  • O território onde hoje está o país é considerado um dos primeiros a contar com civilização humana. Sim, depois dos dinossauros e da África, a região teria sido uma das primeiras a ter comunidades de humanos;
  • Bagan é linda e, ao mesmo tempo, uma cidade que vive na poeira e na fumaça. Os locais ainda têm o terrível hábito de colocar foco no lixo;
  • De repente você pode estar andando na rua ou em algum templo e algum birmanês vai pedir pra tirar uma foto com você. Sim, foto. Não sei se somos muuuuito diferentes deles, mas isso me aconteceu ao menos duas vezes na viagem;
  • Ao contrário do que possam parecer, as cidades que passei são seguras. Até mesmo locais que no Brasil, só pela aparência, consideraríamos perigoso, é tranquilo. Vi muitas mulheres viajando sozinhas e iria só pra lá numa boa;
  • É um país extremamente barato. Exceto meu passeio de balão e as passagens de avião que comprei ainda no Brasil, nos 9 dias que passei pelo Myanmar devo ter gastado cerca de 300 dólares, contando com hospedagem, alimentação, diversão e passeios;

Exatamente por ter vivido um período ditatorial longo e ter sido fechado ao turismo que é preciso colocar urgentemente o Myanmar em seu roteiro. É como se os locais ainda não tivessem se “contaminado” por aquele turismo “sujo”, cheio de pegadinhas ou roubadas. As pessoas são confiáveis, são amáveis, são solícitas, são queridas. Dizem que a Tailândia é a terra dos sorrisos, mas depois de conhecer o Myanmar você vai entender o que é sorriso aberto.

Pra você me conhecer um pouquinho 😊

Meu nome é Isa Sousa e eu tenho 33 anos. Morei no interior de Mato Grosso até os 17 anos, quando fui para o México e fiquei um ano fazendo intercâmbio. Desde então não parei: foram 3 anos em Goiânia (GO), 7 anos em Cuiabá, 1 ano no Rio de Janeiro e, depois, voltei a Cuiabá, onde moro atualmente. Passei um mês em Nova York pra outro intercâmbio. Conheço 24 países e meu sonho é conhecer o máximo de locais que puder. Pra falar sobre viagens, tenho o blog Ela Viaja (https://elaviaja.wordpress.com/). Amo tatuagens – tenho 8 e contando. Tenho um pug chamado Torresmo. Já me aventurei no mundo da fotografia. Sou jornalista e amo minha profissão. E, por mais estranho que possa parecer me formo cabeleireira em maio deste ano, rs.

Meu instagram: @isasousa_ e também tem o @elaviaja (mas esse nem tenho usado muito).

Comentários

Comentários

Mulheres tão particulares, com um único objetivo em comum, viver as melhores (e maiores) aventuras já vistas. Juntas ou sozinhas, nós queremos é viver! E compartilhar nossas experiências para que possamos inspirar cada vez mais, outras mulheres.



O que achou desse post?


%d blogueiros gostam disto: