Minha experiência com Workaway – por Nathália Elen

Minha experiência com Workaway – por Nathália Elen

Sempre tive o sonho de viajar. Mas não apenas viajar como turista. Sempre me imaginei morando fora do Brasil. Desde muito nova queria fazer intercâmbio, mas as condições financeiras não me permitiram ter essa experiência ainda na adolescência. Depois de muita pesquisa online, conheci o site workaway.info em janeiro deste ano (já beirando os 30 anos). Foi a deixa que precisava.

Tá bom, mas o que é workaway? 

O voluntário (que o site chama de “workawayer”) trabalha até 5h por dia, 5 dias na semana em troca de hospedagem e, em alguns casos, alimentação providos pelo anfitrião (chamado de “host”).

O site tem uma lista de mais de 3.000 “hosts” espalhados por 155 países. Você pode ter acesso aos perfis desses “hosts” sem se registrar no site, mas você só consegue entrar em contato com eles se se cadastrar no workaway e pagar a taxa anual do site (USD 29,00 para conta individual ou USD 38,00 para ir em casal ou dupla de amigos).

Os trabalhos são muito variados, bem como o que você ganha em troca.
As tarefas podem ser de limpeza, recepção, ensino de idiomas, construção, jardinagem, cuidar de crianças ou animais, fotografia, decoração, etc.

Você pode ter um quarto privado, uma cama em um quarto compartilhado, um sofá ou uma barraca de camping para dormir. Você pode ter só uma refeição, ou duas, ou todas, ou nenhuma.

A dica aqui é ter bastante atenção ao ler o perfil do “host” e ter claro o que você está disposto a fazer e o que você considera justo ter em troca (sabendo que muito raramente vai rolar um dinheiro, a moeda aqui é a troca).Vale lembrar também que existem sites semelhantes com a mesma proposta. Como o Helpx e o worldpackers.

A minha experiência

Sou casada há quatro anos. Ainda bem que meu marido compartilha do mesmo sonho. Estávamos vivendo apenas para pagar contas e comer. Sem muitas perspectivas de melhora de vida. Resolvemos sair dessa situação e começar a viver de verdade. Buscávamos novas experiências. Só que, mais uma vez, a questão financeira seria um problema. Por isso logo de cara o Workaway se mostrou a melhor solução pra nós.

Foi assim: nos inscrevemos no Workaway, escolhemos nossa primeira parada (no Chile) vendemos todos os móveis e eletrodomésticos, doamos muitas outras coisas e partimos no dia 5 de março.

1. Hostel em Pichilemu, Chile

Nossa primeira experiência foi em um hostel na cidade de Pichilemu, capital do surf aqui do Chile. É uma cidade pequena com lindas praias que recebe muitos turistas do mundo todo.

Chegamos a Pichilemu no dia 24 de março, por volta das 15h. Estava um dia nublado. Quinta-feira não tinha muita gente na rua. As placas de “rota de fuga de tsunami” num primeiro momento assustaram.

Mas ao chegar no hostel fomos tão bem recebidos, que esta primeira impressão de “cidade fantasma” logo se apagou.

No maravilhoso Hostal Patiperro convivemos com workawayers da Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Espanha, Argentina e Brasil (além de conhecer hóspedes de muitos outros lugares). O dono do hostel é chileno, uma pessoa maravilhosa, super “buena onda”. Nós dividíamos as tarefas da maneira a gente achava melhor (a saber: preparo do café da manhã, limpeza e manutenção) e o trabalho não era pesado para ninguém.


Na verdade, trabalhamos menos que as 5h de trabalho diárias que são previstas no Workaway. Fazíamos um mutirão logo de manhã, terminávamos tudo bem rápido e o resto do dia livre para fazermos o que quiséssemos.

No tempo livre podíamos usar todas as dependências do hostel, como a piscina, mesa de ping-pong, redes, sofás, TV, Wi-fi. Lá nós nos sentíamos em casa.

Em troca do nosso trabalho, tínhamos duas camas em um quarto compartilhado com hóspedes (como já estava em baixa temporada, eu e Leo ficamos vários dias sozinhos no quarto e nos fins de semana e feriado dividimos o quarto com outras pessoas). Nos era oferecido café da manhã com os hóspedes e para o almoço e jantar fazíamos uma vaquinha entre a equipe e algum de nós cozinhava.

A princípio iríamos ficar 30 dias, ficamos quase 40. Nem preciso dizer o quanto amamos esta experiência. Confesso que só saímos de lá porque precisávamos de trabalho no tempo livre para nos mantermos (a grana já estava acabando) e, por ser baixa temporada, a cidade já não oferecia muita oportunidade.

  1. Hostel em Providência, Santiago

No dia 1° de maio nos mudamos para o segundo hostel, na charmosa Comuna de Providência, em Santiago. Esse hostel tinha acabado de abrir as portas e nós fomos os primeiros workawayers lá. As tarefas também eram limpeza, manutenção e recepção. Nos ofereciam café da manhã e duas camas num quarto que comporta três workawayers.

Ainda não tinha tanto contato com muita gente como em Pichilemu (afinal, o hostel tinha acabado de abrir) mas aqui começamos a ter mais contato com chilenos – os sócios do hostel, que são três amigos. E foi super legal.

Leo começou a trabalhar em Santiago como motorista (por indicação de um dos donos do hostel). Chegamos a pensar em nos fixar em Santiago por um tempo maior, pois as coisas iam bem no trabalho dele. Eu ficava no hostel trabalhando pelos dois alguns dias, outros dias ele fazia o turno da noite.

Mas acabou que ficou muito pesado pra ele manter esses “dois empregos”. E as coisas no hostel já não estavam tão amigáveis da parte de um dos sócios. Ele começou a restringir nosso acesso a áreas do hostel, nos diferenciando dos hóspedes. Sendo que, nós também pagamos, com nosso trabalho e não achamos justo ter essa diferenciação. Por isso, marcamos uma reunião explicando nossas insatisfações e saímos de lá no dia 5 de junho. Completando assim 35 dias no nosso segundo Workaway.

Saímos sem nem mesmo ter certo o próximo destino, mas foi bom. Serviu de experiência tanto pra nós quanto pra eles. Tudo deu certo no final. Ficamos uns 11 dias na casa da minha irmã, no centro de Santiago, Leo avisou no trabalho que ficaria apenas mais duas semanas. Nós queríamos ir para outra cidade. Ele continuou por mais duas semanas como motorista para juntarmos dinheiro e enviamos muitas mensagens para outros hosts.

No workaway, geralmente o mínimo de tempo que se pode ficar em um lugar é duas semanas. Você envia a mensagem já dizendo o tempo que você pretende ficar e eles respondem se têm disponibilidade para te receber. Sendo que, esse período pode ser estendido ou encurtado por parte do workawayer ou do host. De acordo com a sua adaptação no local. Tudo é conversado e ajustado.

3. Ski Rental em Las Condes, Santiago

Não foi dessa vez que iríamos deixar Santiago. Aconteceu que, o único host que escolhemos dentro da cidade era o que estava disposto a nos receber. Como a grana estava curta (e sempre está), dessa vez enviamos mensagens para hosts que ofereciam todas as refeições. Nos mudamos para cá no dia 17 de junho.

Trabalhamos 5h por dia, 5 dias na semana na loja de aluguel de roupas e equipamentos de ski e snowboard. Temos um quarto espaçoso com vista para a Cordilheira dos Andes e banheiro privado na casa do dono dessa loja. Além disso, quando tem muito trabalho e precisamos passar das 5h, recebemos hora extra. E outra: podemos usar as roupas e equipamentos para esquiar de graça e temos fácil acesso às estações de ski. [Confesso que eu não tive coragem de tentar esquiar, mas subimos para conhecer a neve e não gastamos nada pra isso. Leo fez snowboarding uma vez só.]

Aqui trabalha mais um workawayer australiano e um casal de franceses trabalha no conserto dos equipamentos (eles não estão com workaway, são contratados). Moramos todos na mesma casa, então a casa está sempre cheia e nos damos muito bem. Aprendemos também bastante sobre a cultura chilena, pois aqui também moram o dono da loja, suas duas filhas adolescentes e o gerente: Todos chilenos.

A princípio iríamos ficar apenas um mês, mas o nosso host nos convidou a ficar até o fim da temporada de inverno, pois nós somos de grande ajuda com os clientes brasileiros da loja (que são a grande maioria). Depois, ele nos convidou a ficar por ainda mais tempo. E, enquanto tiver bom para todos, podemos ficar.

Vou abrir um parênteses aqui sobre visto: Aqui no Chile o visto de turista dura 90 dias. Antes de vencer nós demos entrada em uma residência temporária com permissão de trabalho para não estar ilegalmente aqui.
Na maioria dos países se pode fazer Workaway com visto de turista sem problemas, pois não é considerado trabalho, afinal não envolve remuneração.

Eu vejo desta forma: É como se você estivesse na casa de um amigo e, como boa visita, você o ajuda nas tarefas diárias.

Agora, cabe a você pesquisar antes de ir, para não correr riscos de ser deportado por atividade ilegal. Até mesmo aqui no Chile a política de imigração está sofrendo mudanças. Então nem adianta eu entrar em maiores detalhes sobre isso agora.

Tem sido uma experiência muito enriquecedora. Aliás, cada Workaway foi bem diferente do outro.  Nos demos a oportunidade de aprender coisas novas, trabalhando em um estilo diferente do tradicional. Costumo dizer que saímos do sistema.

Para quem eu indicaria esse estilo de viagem

Essa experiência pode ou não ser pra você. Tudo pode acontecer e precisamos estar preparados psicologicamente para as mais diversas situações.

Indico Workaway para pessoas que:
• Tenham muita vontade de viver uma experiência completamente diferente;
• Querem aprender um novo idioma, se aprofundar na cultura de determinado local;
• Não têm muito dinheiro, precisam economizar;
• Não são muito apegadas a coisas materiais. Uma pessoa muito preocupada com dinheiro e status não consegue conceber a ideia de trabalhar e “não receber nada”;
• São flexíveis, de fácil adaptação;
• Têm um bom relacionamento com as pessoas, afinal você vai trabalhar e morar para e com desconhecidos;
• Não tem preguiça de trabalhar, nem preconceitos com determinados tipos de trabalho. Ex. Quem tem o seguinte tipo de pensamento: “Sou formada na Universidade, não vou limpar banheiro.”,
• Inteligência emocional para lidar com diferenças culturais, saudade, stress pelos imprevistos que podem ocorrer. Precisamos nos virar.

Um pouco do que vivemos

Nesses quase seis meses vivemos com o mínimo necessário, conhecemos pessoas maravilhosas de todos os cantos do mundo, aprendemos espanhol, vimos lindos sunsets no Oceano Pacífico, arriscamos um surf, conhecemos a neve e nos apaixonamos pelas montanhas, acordamos de madrugada e vimos neve caindo e o dia seguinte foi mágico ver tudo branquinho lá fora (detalhe: há mais de 10 anos não nevava em Santiago), sentimos alguns “temblores” (terremotos), mudamos nossa maneira de comer, de nos vestir, levamos uma vida mais relaxada, sem muitas preocupações com o futuro, procurando viver o hoje.

Nem tudo são flores. Temos momentos de tensão. Como, por exemplo, quando furtaram todo nosso dinheiro no Terminal de Buses San Borja (em Santiago) e tivemos que nos virar para conseguir dinheiro com “bicos”, quando morri de medo de tsunami, quando tivemos que “pedir demissão” no segundo host, com problemas de saúde do Leo (nós não temos seguro de saúde, mas aqui no Chile brasileiros têm acesso à saúde pública. Mas, ainda assim, já gastamos bastante com remédios, quiropraxia e até apucuntura – ele está com um problema na coluna).

Cada mês nessa “vida loca” equivale a uns 5 em uma vida normal. Se é que algum dia a gente foi normal. Só sei que eu nunca mais quero viver para trabalhar. Quero viver uma vida cheia de novidade, mais pessoas e lugares novos. Mais idiomas aprendidos, mais praias, cidades, montanhas.

 

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Mulheres tão particulares, com um único objetivo em comum, viver as melhores (e maiores) aventuras já vistas. Juntas ou sozinhas, nós queremos é viver! E compartilhar nossas experiências para que possamos inspirar cada vez mais, outras mulheres.



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