Machu Picchu: Descobrindo a “Cidade Perdida dos Incas”

Machu Picchu: Descobrindo a “Cidade Perdida dos Incas”

Quando pensamos em uma viagem para o Peru, normalmente, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a da famosa cidade de Machu Picchu. Machu Picchu, que significa “montanha velha” e é também conhecida como a “cidade perdida dos Incas”, é um dos cartões postais mais visitados do mundo, e não é para menos: a imensidão das estruturas, a paisagem exuberante, e toda a mística que envolve a história do local desperta a curiosidade de milhares e milhares de visitantes todos os anos.

O lugar já foi elevado à categoria de Patrimônio Mundial da UNESCO e a organização suíça New Open World Corporation (NOWC), noutra oportunidade, já o classificou como uma das sete maravilhas do mundo moderno. Portanto, se você ainda não conhece, coloque já no seu roteiro, pois é uma visita obrigatória para todo bom mochileiro! 🙂

HISTÓRIA E DESCOBRIMENTO

Machu Picchu está localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, há cerca de 130 quilômetros da cidade de Cusco, que também foi a capital do antigo império da civilização Inca. “Inca” que significa “o filho do Sol”, era o nome que se dava ao soberano que reinava sobre o povo quíchua, que se desenvolveu na região da Cordilheira dos Andes (América do Sul).

Historiadores afirmam que a cidade foi construída no século XV, sob as ordens do líder inca Pachacuti, no auge do império. A cidade foi abandonada muitos anos depois de sua construção, provavelmente, na época que coincidiu com colonização espanhola. Não há registros históricos de que os espanhóis, à época, tenham descoberto Machu Picchu. Por isso, a cidade passou séculos escondida nas montanhas do Vale Sagrado, intacta e conservada pelo tempo.

Após o surgimento de evidências, durante o século XIX, de que a cidade pré-colombiana, de fato, existia, em 1911 o professor e explorador norte-americano Hiram Bingham, à frente de uma expedição da Universidade de Yale e guiado por habitantes locais que falaram à respeito das ruínas, redescobriu e apresentou Machu Picchu ao mundo. Bingham criou o nome “a Cidade Perdida dos Incas” através de seu primeiro livro. É famosa a sua frase dita quando chegou ao local: “Acreditará alguém no que encontrei?”.

DIVISÕES DA CIDADE

O complexo está claramente dividido em duas grandes zonas: a zona agrícola, formada por conjuntos de terraços de cultivo e a zona urbana, onde viveram seus ocupantes e onde foram desenvolvidas as principais atividades civis e religiosas.

Na zona agrícola, é possível observar as estruturas montadas pelos Incas especialmente para o cultivo, com um avançado sistema de drenagem de água, que evitava empoçamentos e erosão das estruturas. Esses terraços foram montados como grandes escadarias, construídas sobre a ladeira.

Na zona urbana havia dois setores: o setor Hanan e o setor Urin. No primeiro, uma das principais estruturas é o chamado Templo do Sol, utilizada para cerimônias relacionadas com o solstício de verão. Há também a chamada zona sagrada, lugar utilizado para diferentes rituais e inclui um dos principais edifícios de Machu Picchu: o Templo das Três Janelas e o Templo Principal.

No setor Urin, chama atenção a “Rocha sagrada”, uma pedra de face plana colocada sobre um amplo pedestal.

É extremamente recomendado ir a Machu Picchu com calma e poder passar o dia todo explorando as estruturas do lugar. Pelas fotos não há como ter ideia da sua imensidão, mas é, sem dúvida, um passeio que pode levar o dia todo, pois há muito o que ver e conhecer. A energia do local é única, portanto, não é um passeio a se fazer com pressa.

COMO CHEGAR

Há diversas formas de se chegar a Machu Picchu a partir da cidade de Cusco. Vejamos as mais recomendadas:

Trilha Salkantay

Esta trilha leva 5 dias e 4 noites, na qual é possível desfrutar paisagens incríveis pelo caminho. Há diversas agências em Cusco nas quais se pode reservar a trilha, e os preços variam em uma média de 400 dólares. Não é a opção mais barata, mas é extremamente recomendada para os amantes de trilhas e camping, pois certamente será uma experiência inesquecível e de tirar o fôlego.

Trilha Inca tradicional

Este trekking é um pouco mais curto, com duração de 4 dias e 3 noites, e faz a rota que os Incas tradicionalmente faziam, por uma estrada pavimentada com pedras, para se chegar à Machu Picchu. Os preços variam em uma média de 300 a 500 dólares, e também é possível contratar em diversas agências de Cusco. São 45 km de trilha e com certeza também é uma experiência inesquecível.

Trilha da hidrelétrica

A rota mais econômica para se chegar à Machu Picchu e tradicionalmente, a preferida pelos mochileiros. A trilha da hidrelétrica tem início em uma pequena cidade chamada Santa Teresa e te levará até a cidadezinha que fica aos pés da montanha onde está Machu Picchu, Águas Calientes.

Para se chegar ao início da trilha você pode contratar uma van em uma das agências de turismo de Cusco, que te levará diretamente ao início da trilha com um grupo de pessoas, ou ir por si mesmo, pegando um ônibus primeiro para uma cidade chamada Santa Maria, e de lá, uma van para Santa Teresa. Não há um transporte direto, a não ser que você contrate. No caso de escolher contratar, como vai um grupo de mais ou menos 10 pessoas, os preços são bem acessíveis.

O caminho é complicado, passa por locais com variações grandes de altitude e, em função disso, recomenda-se fortemente o uso de uma medicação específica para o soroche (mal de altitude). As “soroche pills” são vendidas em qualquer farmácia em Cusco, e são bem baratas. Não se assuste com os precipícios que surgem na estrada, pois fazem parte da aventura. Leva-se, em média, 6 horas de viagem de Cusco até Santa Teresa.

O ponto final é na hidrelétrica em Santa Teresa, onde se dá o início da trilha. A trilha tem uma extensão de 13 km e é feita nos trilhos aonde passa o trem que vai de Cusco até Águas Calientes. As pessoas andam pelos trilhos, mas não se preocupe: caso o trem passe (e ele vai passar) durante a sua caminhada, há espaço suficiente para não haver atropelamentos. Dependendo do seu ritmo, leva-se de 1 hora e meia a 2 horas e meia de caminhada.

Não é um caminho difícil, pois é todo o tempo plano, sem obstáculos. Recomenda-se chegar cedo para não fazer a trilha ao escurecer e é imprescindível o uso de repelentes e roupas que cubram pernas e braços, para evitar picadas de mosquitos da região, que costumam ser bem agressivas.

Trem + ônibus

Essa é a forma mais cara, porém mais rápida e cômoda de chegar à Machu Picchu. Geralmente é a escolhida por quem tem menos tempo disponível e também por quem não é adepto de trilhas e caminhadas. Os trens saem de Cusco, de duas estações: Ollantaytambo ou Poroy, com percurso de aproximadamente duas horas até Águas Calientes em vagões confortáveis, alguns com refeições típicas e outros ainda com apresentações folclóricas. A PeruRail e a IncaRail são as operadoras que fazem o percurso, com preços que podem variar de $50 a $130.

Chegando em Águas Calientes, você deve pegar o ônibus para Machu Picchu, que custa cerca de $25 (ida e volta) e sai do Centro da cidade. O trajeto dura aproximadamente 20 minutos e as saídas acontecem a partir de 05h30 seguidamente, enquanto houver filas. Esse percurso também pode ser feito a pé, porém a trilha é bem íngreme e você vai levar de 2 a 4 horas para chegar a Machu Picchu.

Independente da forma que você escolheu para chegar à mágica “montanha velha”, lembre-se de que você já deve ter seu ingresso em mãos, pois não é possível comprar na entrada na hora. O ideal é comprar com bastante antecedência, pois a quantidade máxima de pessoas por dia no local é limitada a 2500 visitantes (e para subir Wayna Picchu, somente 400). No site oficial, você pode comprar o ingresso que dá direito a visitar somente a cidade de Machu Picchu a $70 ou comprar o ingresso duplo para subir Wayna Picchu por $85. Não esqueça de levar seu passaporte, você vai precisar de um documento de identificação, já que os ingressos são pessoais e intransferíveis. Dica: você ainda pode registrar  a visita no seu passaporte com um carimbo personalizado de Machu Picchu <3

ÁGUAS CALIENTES

A cidade, que é a porta de entrada para Machu Picchu, também é chamada de Machu Picchu Pueblo e tem boa estrutura turística, contando com restaurantes e pousadas. Mas o lugar é bem pequeno, tem menos de 2000 habitantes e não há muito para se fazer. Se você vai estar durante o dia na cidade, aproveite para caminhar pela pracinha e conhecer as muitas feiras do local, onde você pode apreciar os souvenirs e itens de artesanato (mas a dica é deixar para fazer compras em Cusco, pois aqui os preços são mais altos).

Agora, se você optou por passar a noite lá, pensando em acordar cedinho para ir a Machu Picchu, você pode aproveitar a gastronomia da cidade: Águas Calientes tem muitos restaurantes de qualidade, como por exemplo o Incontri del Pueblo Viejo, que pertence ao italiano Lorenzo e é perfeito para comer boa massa em um ambiente agradável. Se a ideia é curtir um barzinho, vá ao El Indio Feliz, um bistrô famosinho por lá, com decoração descolada e ótimos petiscos e drinks.

WAYNA PICCHU

Nem todo mundo sabe, mas a famosa montanha que aparece lá no fundo de todas as fotos de Machu Picchu é a Wayna – ou Huayna – Picchu. Seu nome significa “montanha jovem” e, se você tiver fôlego, pode subir até o topo dela e assim, ver Machu Picchu lá do alto. Por dia, é permitida a entrada de 400 visitantes, sendo 200 no primeiro horário (7h) e 200 no segundo horário (10h). Você precisa escolher qual horário prefere no momento da compra do ticket. Como já mencionamos antes, o preço do ingresso para Machu Picchu incluindo a subida para Wayna Picchu fica somente $15 mais caro, mas esgota muito rápido. Se você pretende ir mesmo, compre com mais antecedência ainda.

A subida de Wayna Picchu é íngreme e difícil, ainda mais considerando que você está a mais de 2500 metros acima do nível do mar, o que deixa a respiração complicada e qualquer movimento se torna cansativo. Se você tem problemas com altura, também deve pensar se quer mesmo encarar essa aventura: trilhas estreitas, com despenhadeiros logo ao lado, são a regra aqui. Em alguns pontos, você precisa contar com os cabos de segurança para se apoiar. É bem tenso mesmo! Mas se você já está decidido, vamos em frente.

Wayna Picchu tem cerca de 300m a partir de Machu Picchu e o tempo para chegar ao topo varia entre 1h e 2h, depende muito do seu ritmo. Na maior parte do percurso, você vai encontrar degraus e mais degraus. No meio do caminho, você chega a um platô com uma linda vista do rio Urubamba. Ótimo lugar para tirar fotos e descansar um pouco. Algumas pessoas se dão por satisfeitas nesse ponto e retornam, outras continuam a subida. Daí em diante, a trilha continua, bem sinalizada, mas cada vez mais íngreme, com as escadas ainda mais verticais. E para piorar, bem no finalzinho, você ainda precisa atravessar um mini túnel subterrâneo – socorro! Mas é bem curtinho mesmo. E enfim, você está no topo. É uma sensação incrível de desafio vencido!

A vista é linda mesmo, você vai tirar muitas fotos… e se preparar para a descida. Essa parte é ainda mais tensa para quem tem medo de altura, pois agora você fica de cara para os precipícios. Vale descer bem devagarinho, engatinhando, até de bumbum pelos degraus. Então, mais uma vez, a gente repete: pense se você está mesmo preparado para encarar Wayna Picchu. Não vá só porque todo mundo vai, ou porque quer tirar fotos legais. Machu Picchu já é maravilhosa por si só, então só suba se essa adrenalina toda realmente for a sua vibe!

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Mulheres tão particulares, com um único objetivo em comum, viver as melhores (e maiores) aventuras já vistas. Juntas ou sozinhas, nós queremos é viver! E compartilhar nossas experiências para que possamos inspirar cada vez mais, outras mulheres.



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