Imprevistos em viagens e como lidar com eles

Imprevistos em viagens e como lidar com eles

Viajar é maravilhoso, e disso nós já sabemos. Conhecer lugares novos, viver experiências diferentes, encontrar pessoas… Mas imprevistos acontecem e podem transformar essa experiência em uma lembrança não tão boa assim… Mas, calma! Para tudo, há uma solução, e por isso decidi compartilhar com vocês algumas histórias que já aconteceram comigo e com outras das colaboradoras do Na estrada com as minas e, claro, contar como tudo foi resolvido para inspirar vocês e, quem sabe, ajudar caso aconteça com mais gente, né? Separei os relatos por categorias, e vocês vão ver, passamos por muitos perrengues!

NO AEROPORTO

“Já perdi um voo quando estava indo para Curitiba com minhas amigas. No caminho para o aeroporto, uma pessoa bateu no carro da minha mãe, que estava me levando até lá. Devido a confusão, nos atrasamos e perdemos o tempo de fazer check-in. Ficamos preocupadas porque o valor da diferença era muito alto e não teríamos como pagar, mas por sorte conseguimos trocar o voo de graça, por conta de uma mudança que tinha acontecido no horário (foi uma alteração de uns dois minutos que nos foi enviada por e-mail, mas isso nos deu o direito de trocar a passagem sem pagar). Demos sorte e ainda pegamos um voo melhor!” – Bruna

“Quando viajei pra San Francisco para fazer intercâmbio, passei mal durante o voo por conta do nervosismo. Não consegui comer, me senti enjoada e com muita dor de cabeça. Consegui dormir, mas acordei diversas vezes por conta do enjoo. Quando o avião se preparou para pousar, percebi que ia vomitar. Os letreiros avisavam para permanecerem sentados com os cintos apertados, mas eu levantei correndo e, quando a comissária foi me avisar que eu deveria permanecer sentada, eu vomitei. Corri pro banheiro e ela ficou um pouco desesperada, me levou um copo com gelo que eu não entendi pra quê serviria, mas enfim, depois disso me senti melhor. No aeroporto, me obriguei a comer alguma coisa e fui melhorando aos poucos.” – Bruna

“Quando eu estava saindo da Bolívia por terra para ir ao Peru, a imigração me solicitou, além do passaporte, um papel que eu havia recebido quando tinha entrado no país. O problema é que eu achava que aquele papel era somente para quem não tinha passaporte, só RG, e não tinha o papel em mãos. Quase não pude fazer a imigração de saída por isso. Os policiais não vão relaxar contigo só porque é mulher viajando sozinha, então o certo é se informar antes sobre o que pedem na imigração. Por sorte, eu achei o papel no meio das minhas coisas, mas poderia ter jogado fora. Dica: nunca joque fora nada que você receber na imigraçao haha, uma hora você vai precisar daquilo.” – Marina

“Um dos momentos mais complicados que já passei foi saindo de San Francisco. Eu ia para o Texas, e de lá, para o Brasil. Primeiro de tudo, não achei que minhas malas estariam acima do limite de peso. Segundo, o limite para o Brasil é maior. Pois bem, cheguei ao aeroporto e as duas malas estavam com excesso de peso! Eu precisava pagar 100 dólares de taxa por cada uma, mas aí entra o maior problema: eu havia gasto TODO o meu último dinheiro no dia anterior. Antes de ir para o aeroporto, eu liguei para a companhia, que me disse que eu poderia pagar essa taxa por cartão de crédito à distância, como numa compra online, mas isso não foi permitido na hora. Resultado: tive que tirar um monte de coisa das malas, todos os meus produtos de cabelo foram para o lixo, algumas coisas de comer, um casaco foi amarrado na mochila e ainda deixei um casaco de frio super pesado por lá (fiquei com pena de desapegar, mas ele foi bem barato e eu dificilmente usaria de novo). Ainda assim, fiquei com várias bolsas na mão e a mochila nas costas. Quase não me deixaram embarcar com mais de uma bagagem de mão, mas um policial foi bonzinho dizendo que se aquilo fosse coisa pra comer no voo, era liberado… Valeu, moço! A história acaba aqui? Claro que não, temos mais perrengue! Uma das bolsas que eu estava levando rasgou devido ao peso, tive que pedir sacolas plásticas para os funcionários da companhia aérea e mesmo assim elas rasgavam o tempo todo. Uma das comissárias foi super fofa e me ajudou a carregar aquilo pelo corredor estreito do avião, e por fim, quando cheguei ao meu destino, empurrando as sacolas com o pé porque não aguentava mais carregar, peguei minha mala na esteira e coloquei tudo de volta. Ufa! Até hoje fico um pouco pensativa sobre essa história porque a funcionária do check-in me disse que meu voo contava como internacional, então acredito que o verdadeiro limite deveria ser o do Brasil e eu não teria ultrapassado, nada disso aconteceria… Na hora, não pensei nisso porque o peso estava em libras e não em quilos, mas vai saber…” – Bruna

Eu e minhas sacolas super cheias e pesadas. hahaha

“Nunca tive problemas muito graves em viagens (graças a Deus!). O incidente que tive mais recentemente foi na minha viagem solo para a Grécia, com escala em Paris . Aterrissei em Atenas dentro do horário, aparentemente sem nenhum imprevisto, e fui buscar minha malinha na esteira. Esperei, esperei, esperei… e nada da minha mala aparecer. Quando todos os passageiros pegaram suas bagagens e a esteira ficou vazia, percebi que aconteceu o que eu sempre temi: bagagem extraviada. Estava sozinha na Grécia e me senti um pouco desesperada, confesso rs mas imediatamente fui a um guichê da Air France relatar o acontecido e, para minha surpresa, foi tudo solucionado muito rápido. A atendente rastreou minha bagagem e me informou que ela ainda estava em Paris, mas que no dia seguinte bem cedinho seria entregue no meu hostel. Ela ainda me deu um kit bem básico de sobrevivência, com escova e pasta de dente, shampoo, sabonete, etc. Já era quase noite, então não foi nada desesperador: fui para o hostel, tomei um banho, jantei e fui dormir, e de fato, no dia seguinte bem cedo a minha mala já estava na recepção. Tudo resolvido e viagem super bem aproveitada!” – Amanda

LUGARES DESCONHECIDOS

“Eu estava muito cansada no dia, porque tinha virado a noite anterior para pegar um voo às 7h da manha de Barcelona para Roma . No dia anterior, teve jogo do Brasil na Copa, então também estava de ressaca. Cheguei em Roma morta, e quando estava no metrô tentando chegar ao meu hostel, sem querer, eu deixei a bolsa principal que andava comigo virar pra trás e ficar fora do meu campo de visão. Nisso, uma pessoa atrás de mim na escada rolante começou a abrir a bolsa e pegar minhas coisas, e eu nem reparei. Só fui reparar quando ela tentou me contornar na escada pra fugir, e por instinto mesmo eu percebi que algo estava estranho. Isso é muito comum de acontecer até mesmo na Europa, e por sorte eu consegui alcançar a pessoa e recuperar minhas coisas porque ameacei tacar a mala na cabeça dela. Mas admito que foi sorte. O que eu aprendi foi: nunca, jamais, deixei suas coisas fora de seu campo de visão, mesmo que voce esteja cansado, porque pessoas de má índole estão em qualquer lugar.” – Marina

“Quando viajei sozinha para Nova York, estava com um celular meio ruim e um carregador portátil que não servia de muita coisa. Por isso, eu evitava usar o celular na rua, já que não podia gastar bateria à toa. Não adiantou muito, foi só usar para tirar algumas fotos que a bateria se foi. Eu estava no Central Park, que é IMENSO, e fiquei perdida. Tinha baixado o aplicativo do parque, mas não tinha como usar… Fui andando sem rumo pelo parque, mas e na hora de voltar? Vi que um ônibus havia passado na rua onde eu estava, pensei em pegar o próximo que passasse e perguntar ao motorista como chegar ao meu hotel. Os minutos foram passando… Quase uma hora e nenhum ônibus, ninguém na rua, eu apertada para ir ao banheiro… Até que decidi falar com o funcionário de um hotel naquela rua, pedi para usar o banheiro e depois perguntei se ele sabia como chegar até a rua onde eu estava hospedada. Ele foi muito gentil e me deu as coordenadas certas, bem diferente do que eu esperava (pegar ônibus numa outra rua e depois metrô), ainda anotou num papel pra eu não esquecer, e assim cheguei ao hotel sã e salva. rs” – Bruna

“Eu estava em um táxi  subindo a Cordilheira dos Andes quando o carro parou do nada. Pensei logo que o cara era bandido e queria assaltar a gente em um lugar deserto como aquele. Mas na verdade não, o carro que deu defeito, e demoraria 2 horas pra um mecânico ir lá consertar porque ninguém quer subir as Cordilheiras pra consertar carro. Decidi pagar o valor equivalente ao percurso que havíamos feito e seguir a pé. Pior decisão. Fiquei cheia de bolhas e suei horrores (fui no verão, época mega quente inclusive nas Cordilheiras). Demorei bastante tempo, mas depois de muito sufoco, cheguei. Me mostrou que quando queremos algo realmente somos capazes de nos surpreender com nossa capacidade de ser persistente.” – Luiza

“Cheguei em Cracóvia , na Polônia, sem o endereço do hostel que eu ia ficar, e por causa disso passei perrengue para chegar no mesmo, já que lá as pessoas não costumam falar em inglês, e também estava com o celular descarregado. O jeito foi procurar pessoas que trabalhavam com turismo no local e pedir informações, e também por sorte eu consegui achar. Quando acontecer algo do tipo, entre em algum hotel próximo ou procure lojas de turismo no local. No meu caso, eu achei pessoas que trabalhavam com passeios na rua para me ajudar.” – Marina

PROBLEMAS FÍSICOS

“O mal de altitude é algo que afeta muito as pessoas que viajam para lugares como o Peru, Bolívia. Eu achei que não teria grandes problemas, mas passei muito mal por causa disso lá. A estrada que leva até a trilha que eu ia fazer para chegar em Machu Picchu passava por lugares muito mais altos, e lugares mais baixos, e a variação de altitude acabou comigo. Eu vomitei durante todo o trajeto, cheguei a ficar super desidratada a ponto de quase desmaiar, fora a sensação de que a cabeça estava explodindo. O jeito foi contar com a ajuda das pessoas que estavam no mesmo transporte que eu, e elas foram bem solícitas. O motorista parou em uma farmácia para comprar remédios para mim, outros me deram folha de coca para mascar. A dica é procurar se precaver antes, e não achar que nada vai acontecer contigo.” – Marina

“Tive uma crise de ansiedade bem ruim em Nova York por conta de várias coisas. Eu comprei meu ingresso para visitar a Estátua da Liberdade com antecedência, pela internet, e deveria visitá-la no dia em que cheguei. No entanto, estava me sentindo muito mal e preferi não ir. Decidi pedir ajuda no hotel, perguntei na recepção se tinham chá e, depois, sal e açúcar para que eu fizesse um soro caseiro, porque havia vomitado algumas vezes. Eles foram bastante solícitos, apesar de o hotel teoricamente não oferecer nada disso. Ah, no site da Estátua, eles avisam que não é permitido trocar o ingresso, mas quando fui comprar meu novo ingresso pessoalmente, perguntei só pra garantir e consegui fazer a troca! Eu fiquei mal quase todas as noites dessa viagem, não conseguia dormir direito, mas saber que eu teria poucos dias para aproveitar aquela cidade me deu forças para ir visitar o que eu queria e aproveitar ao máximo, dentro dos meus limites.” – Bruna

HOSPEDAGEM

“Quando fui pra Natal, fiquei num hotel que era bom, mas tive um problema no quarto por conta do chuveiro que não esquentava. Depois de discutir com o gerente, que nos trocou de quarto e depois queria que voltássemos para ele, ganhamos uma diária a mais. No meu último dia em Natal, estava na praia de Ponta Negra, que tinha muitas pedras e cracas que não dava pra ver, eu pisei em uma e fez um corte muito profundo. Voltei pro hotel desesperada e acabou que o gerente do hotel que me levou pro hospital pra tomar injeção.” – Raquel

“Fui furtada uma única vez em hostel por puro descuido meu, Deixei um par de botas e um travesseiro do lado de fora do locker, e passei o dia todo fora. Quando voltei, não estavam lá. Não é bom confiar nas pessoas, mesmo que pareçam tranquilas. Até porque nada te garante que outras pessoas não irão entrar no quarto também. A dica é sempre guardar tudo no locker, e o resto andar com você. Se precisar, até durma com a suas coisas. Tive que comprar uma bota nova para continuar a viagem e foi uma despesa a mais.” – Marina

“Quando cheguei ao meu hotel em Nova York, fui deixar as coisas no meu quarto e aproveitei para cochilar um pouco, já que não estava me sentindo bem. Era impossível. O quarto era de frente pra rua, e era barulhento demais! Gente falando, música, trânsito… Fui até a recepção reclamar, e me ofereceram outras duas opções de quarto. Por sorte, um deles ficava na parte interna do prédio e não havia barulho, e foi onde escolhi ficar.” – Bruna

“Fui para um simpósio em Belo Horizonte de última hora e, chegando ao hotel, percebi que era recém-construído, além de ser num lugar bem esquisito. Quando entrei no meu quarto, era quente demais e não tinha ar-condicionado, nem um ventilador sequer. Reclamei e conseguiram um ventilador pra mim. Passei o dia fora, e quando fui pro quarto, comecei a passar mal e sentir muita dor de cabeça. O quarto tinha sido pintado recentemente e o cheiro de tinta estava muito forte, mal dava pra respirar. Quando fui reclamar de novo, ainda me questionaram, ‘mas eu já não te dei um ventilador?’ Eu me recusei a ficar naquele quarto, e consegui trocar para um que era até melhor, com cama de casal.” – Raquel

Bem, são muitas histórias, muitos tipos de imprevistos que podem acontecer em qualquer situação, não é mesmo? Mas é importante manter a calma e tentar ser racional, resolver o que foi possível, e aproveitar a viagem da melhor forma, ainda que não aconteça tudo da forma que imaginamos. Imprevistos acontecem, mas é possível que se tornem apenas histórias pra contar! Vamos sempre respeitar nossos limites, não adianta querer resolver tudo correndo quando não existe uma solução imediata, mas uma coisa eu garanto: viajar nos torna pessoas mais conscientes dos nossos limites, nos permite entender como resolver cada problema, como mudar alguns planos e ainda assim aproveitar e ser feliz naquele lugar. E você, tem alguma história pra contar? Deixa aqui nos comentários!

PS: Alguns dos lugares citados já foram temas de posts aqui do blog e estão em destaque, basta clicar para ser direcionado ao post específico. 🙂

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