Encontro Raízes e Jongo de Piquete, viradinha cultural – por Adriana Farias

Encontro Raízes e Jongo de Piquete, viradinha cultural – por Adriana Farias

Em um sábado, por volta das sete da manhã, alonguei o corpo, pus uma sapatilha confortável e parti rumo ao Méier, o projeto Na Estrada com as Minas foi conhecer a sexta edição do Encontro Raízes, evento que reúne a galera da cultura do popular do Rio de Janeiro para uma grande festa organizado pelo capoeirista Tiago Esteves, conhecido como Novinho e já com as malas prontas para partir para São Paulo vamos em seguida conhecer o Jongo de Piquete, uma dupla jornada para conhecer cada vez mais nossa cultura.

O evento acontece dentro do espaço de convivência de um condomínio e apesar de parecer pequeno, acomodou confortavelmente cerca de 200 pessoas que compareceram ao local durante todo o dia para prestigiar o evento que começou com uma roda de capoeira, a princípio modesta, que depois tirou o fôlego da galera. Uma homenagem era rendida aos mestres e contramestres ali presentes a todo o momento e depois de já avançada a hora perdi a conta dos mestres que ali estavam prestigiando o evento e dando um show.

Seguindo com o cronograma da festa, quando já estava dada por acabado a capoeira, tomaram um surdo, um pandeiro e um tambor e devagarinho começaram um coco que em um piscar de olhos reuniu várias saias rodadas no meio do salão. O coco, de origem nordestina e dançado em pares é um verdadeiro exercício para as pernas com suas batidas de pés agitadas e com um surdo que faz seu coração quase pular para fora do peito. A partir do meio dia foi servido a famosa feijoada e a moleza que à acompanhou precisou de uma hora de descanso para desaparecer , mas ao som de um samba que começaram devagarinho durante o descanso foi até fácil se recuperar.

Alguns minutos depois a galera já estava na roda novamente aguardando alinharem os tambores para começar o jongo. Tradicional é o sinônimo de jongo e não teve quem não se juntasse a roda para dar palmas e cantar os pontos. As saias rodadas brilharam divinamente nesse momento. Todas as expressões populares foram devidamente representadas e foi maravilhoso participar, mas a essa altura já estávamos de saída para tomar a estrada rumo à Piquete.




Lotamos o carro, reunimos os companheiros de viagem e partimos para interior de São Paulo esperando pelo tão temido frio da cidade que não decepcionou. Chegamos por volta das 20:00 horas na festa que acontece na casa do Mestre Gil, liderança do grupo Jongo de Piquete, conseguimos acompanhar parte da oração à Santo Antônio, pouco antes da roda começar. Uma feijoada já estava sendo servida e ajudou a esquentar o clima pouco antes de uma roda de coco começar. Roupas coloridas, saias rodadas e meninas com tambores tocando e dançando passos de coco completamente diferente dos cariocas, um ritmo bem mais suave do que conhecemos no Rio de Janeiro, apesar dos passos parecidos. O grupo foi logo seguido pelo jongo de Embu das Artes, se você conhece o jongo do Rio de Janeiro esqueça tudo que conhece, são outros pontos e outro estilo de dança, mas vale muito a pena. O ritmo é lento o toque é diferente e a dança, menos enfeitada e apresentada como no Rio, com passos bem mais discretos. Foi servido uma canjiquinha, favos de milho cozidos com carne de porco, um caldinho quente e maravilhoso, tudo que precisávamos no frio que seguia as horas avançadas da noite.

O dono da casa assume a roda no começo da madrugada com o grupo Jongo de Piquete, saias rodadas vermelhas, crianças e seguimos a animação da noite até que o grupo de jongo carioca, Jongo da Lapa, mudou o ritmo da festa. Já passavam das duas da manhã quando o jongo carioca tomava conta da festa com uma animação que por algum tempo me fez esquecer o frio. Um quentão foi servido para ajudar a espantar o cansaço e o frio junto com uma pipoca maravilhosa. A hospitalidade foi ímpar e fez jus ao que ouvi falar sobre as pessoas do interior. Com a absoluta certeza voltarei no ano seguinte pronta para essa aventura cultural que tanto amo. Encontro Raízes e Jongo de Piquete, um dos melhores passeios que já fiz, recomendo a todos conhecer um pouquinho mais da nossa cultura e prestigiar as rodas que esbanjam alegria.

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