Au pair na França: como morar na Europa sem muita grana – por Nivea Atallah

Au pair na França: como morar na Europa sem muita grana – por Nivea Atallah

À primeira vista pode parecer um dilema de rico a história de cansar do emprego, da faculdade, do namorado e ir dar um tempo na Europa. De fato é mesmo, mas não significa que só quem tem muito dinheiro consiga fazer. Morei na França 3 anos e definitivamente não era uma pessoa que me enquadrava na elite desse país. Meu pai era professor e minha mãe, dona de casa. Sempre tive todos os recursos à disposição para estudar, mas bancar viagens ou uma vida no exterior era fora de cogitação. Como é que eu fiz? Não teve mágica, só muita pesquisa e informação. Confira a seguir minha aventura.

Voltando lá para o ano de 2005, recém-formada eu já trabalhava como jornalista. Muita pressão e aquelas férias mequetrefes. Torrava as economias e os 30 dias viajando. Foi aí que me dei conta de que isso era muito pouco. Minha vida tinha se resumido a 11 meses angustiantes de espera pelas férias. A solução era morar na Europa e aproveitar a curta distância pra conhecer vários países em pouco tempo. Voilá! Ideia genial se não fosse a falta de grana. Entrar no mestrado e tentar bolsa de  doutorado sanduíche era um caminho nobre, mas ia demorar muito. E quem tem fome de viagem tem pressa.

Então, pesquisando no finado Orkut descobri a comunidade Au Pair na França. Mas o que é isso? É um programa de intercâmbio. Você vira babá em tempo parcial (30h por semana) na casa de uma família francesa. Em troca, tem moradia e alimentação + ajuda de custo (média de 240 Euros por mês). Na França, as crianças estudam em tempo integral e é nesse tempo que a Au Pair vai pro curso de francês. É obrigatório estudar. A Au Pair não faz outro trabalho doméstico, só cuida das crianças.

Qual a vantagem do programa de Au Pair? Não é preciso comprovar renda pra tirar o visto de estudante, já que você não vai ter gastos por lá. Qualquer outro visto de estudante exige bolsa ou uma penca de comprovações de que alguém vai te mandar dinheiro ou que você tem grana suficiente pra não precisar trabalhar.

Quem pode ser Au Pair? Meninas ou meninos (sim, homem também pode cuidar de criança na França) entre 18 e 30 anos, ter entrado em uma universidade reconhecida pelo MEC, ter noções de francês. Não precisa diploma de curso de francês, mas confesso que ajudou bastante ter um porque prova que você estudou. Pode ser de qualquer curso, até um gratuito. Eu tinha um diplominha do Wizard. Falava muito pouco, mas não entendia nada. Meu francês era rudimentar.

O procedimento é feito pela internet no site da Campus France. É preciso passar por uma entrevista (em português) meramente burocrática. Pode ser que perguntem coisas básicas de francês, mas você fez o cursinho, lembra? Com tudo certo, é dar entrada no visto no consulado. Desde que eu fiz, o procedimento mudou um pouco, mas não é um bicho de sete cabeças. Não precisa de agência de intercâmbio como o Au Pair dos EUA. Pra França, você pode fazer tudo sozinha.

Os gastos? Não é um périplo custo zero, claro. Qualquer documentação necessária deve ser traduzida em francês. Você deve se inscrever em um curso de francês na cidade onde vai morar. O curso de Francês que eu fiz custa atualmente 270 Euros por mês, em Lyon. Algumas famílias pagam o curso, mas não é comum. Ah, tem a passagem de avião. Algumas famílias pagam, mas é raro. Lembre-se sempre: quem dá muito cobra muito. Ou melhor: quando a esmola é demais o santo desconfia.

Espera! E como achar sua família (famille d’accueil) ? Existem vários sites onde as famílias anunciam, como Bebe Nounou (onde achei a minha família) e Aupairworld. Outra forma interessante é o boca a boca. Por exemplo, uma brasileira que esteja saindo indica outra. Por isso é legal entrar nas comunidades que meninas que já estão lá. Não participo de nenhuma, mas deve ter no Facebook.

Se tenho uma dica? Pesquise muito e por conta própria. Antes de perguntar pra alguém, e correr risco de obter informação errada, entre nos canais oficiais para se informar. Peça referências da família, o contato da antiga Au Pair. A minha família (que foi ótima) me colocou em contato com a Au Pair antiga (brasileira) assim que começamos a conversar.

Tudo é um mar de rosas? Não. É muito difícil morar na casa dos outros e estar sozinha em outro país. Conheci algumas meninas que eram exploradas, não tinham tempo pra estudar. É possível mudar de família se isso acontecer. Eu tive sorte. Fiquei oito meses na casa, cumpri meu contrato. Depois consegui mudar meu visto pra estudante normal, me matriculei em um mestrado e sobrevivi dando aulas de português para estrangeiros. Viajei muito, aprendi muito.

Quando voltei pro Brasil, meu francês fluente foi determinante para achar o emprego onde estou até hoje. Só posso concluir que valeu muito a pena.

Onde começar a pesquisa:

http://www.bresil.campusfrance.org/node/6590

Sobre mim: Jornalista, carioca, mochileira, aventureira acidental e devoradora de relatos de viagens.

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