As Minas no Teatro: Dani night: solteira, procura – Versão Pocket Bar

As Minas no Teatro: Dani night: solteira, procura – Versão Pocket Bar

“Eu tenho certeza que dessa vez eu vou desencalhar, porque você sabe que quando mulher diz que é, é porque é!”

Essa frase é uma das mais ouvidas durante os 50 minutos de duração da peça Dani Night: solteira, procura, que nossa equipe foi convidada a assistir esse mês. O monólogo se passa no apartamento de Dani Night, famosa por levar uma típica vida de solteira, regada a baladas e bebidas, mas que agora está firmemente decidida a se casar. A peça conta os dilemas e pressões que Dani sofre: por um lado, as amigas a acham louca por querer casar; por outro lado, a família cobra dela o matrimônio e tudo que o acompanha, como as roupas para lavar, o jantar do marido e os filhos. Para alcançar seu objetivo, ela apela para tudo, desde Santo Antonio de cabeça para baixo até aplicativos de namoro.

E todas essas histórias ela divide com a platéia, interagindo o tempo todo. Dani Night conta e ouve histórias do público, pede opiniões, mostra fotos do seu novo boy, distribui santinhos… É como se todos os presentes ali fossem amigos dela. Aliás, esse é o grande diferencial da versão Pocket Bar: diferente de um teatro tradicional, em que há uma certa distância do público, o espetáculo acontece num bar, ao mesmo tempo em que as pessoas comem e bebem, os garçons passam… E tudo isso acaba fazendo parte das cenas também.

Durante a apresentação, sentimos uma grande dificuldade para tirar fotos. O motivo? Dani simplesmente não para! A personagem é elétrica e está sempre percorrendo o espaço, aproveitando-o da melhor forma.

“Dani Night: solteira, procura” já está na estrada há 4 anos, passando por cidades do Norte e Nordeste do país, e agora por diferentes espaços no Rio de Janeiro , com uma equipe enxuta e sem patrocínio. O roteiro é escrito e vivido por Michelle Ferrúcio, que além de ser a simpatia em pessoa, é uma cearense arretada e batalhadora. Na vida real, é formada em dramaturgia e já foi professora de teatro. Sua personagem arranca risadas do público, que se identifica com as situações vividas no palco, mas Michelle conta que a peça também tem o poder de provocar a reflexão. Conversamos um pouco com ela no fim da peça para saber mais sobre isso, e vocês podem conferir uma parte desse bate-papo.

 

 

Na Estrada com as Minas: Em quem você se inspirou pra criar a personagem Dani Night?

Michelle Ferrúcio: O texto nasceu numa época que eu queria muito trabalhar, mas não conseguia emprego, e o boom da comédia estava crescendo muito. Eu peguei muitas histórias das minhas amigas e dos amigos e decidi escrever um monólogo, porque só precisaria de mim. A busca por uma oportunidade me fez ter a ideia e o desejo muito grande de ter uma coisa minha.

Na Estrada com as Minas: E como foi trazer esse texto para o teatro?

Michelle Ferrúcio: Eu já era formada como atriz, depois me formei como professora de teatro… Eu escrevi o roteiro quando entrei na faculdade de licenciatura, e quando fui me formar, decidi tirar o texto do baú, porque tive um problema com meu diretor, a gente ia montar outro texto. Quase uma semana antes da formatura, eu não sabia o que montar. Eu chorei muito nesse dia e pedi muito uma iluminação, um sinal. Quando eu acordei, eu ouvi uma voz dizendo “leia seu texto”, e eu li. Eu nunca achei que meu texto fosse tão bom, eu tinha deixado guardado, mas era o que eu conseguiria decorar em cinco dias. Desde que eu apresentei pela primeira vez, as pessoas gostaram e riram muito. Desde então, nunca mais me faltou oportunidade de fazer essa peça. Sempre tem alguém querendo ver Dani Night, e isso é muito gratificante, é sinal que deu certo, né? É sinal que eu escutei a minha voz interior, e que às vezes uma coisa não dá certo pra que outra dê mais certo ainda.

Na Estrada com as Minas: E você sempre fez comédia?

Michelle Ferrúcio: Que nada, eu adorava fazer drama, fazer os outros chorarem. Eu fui pra comédia porque eu precisava de oportunidade, e por cearense, eu tenho muita facilidade com humor, então eu fugia muito disso. A comédia veio mesmo por uma necessidade de trabalhar, mas depois que eu comecei a fazer Dani Night, eu descobri que amo fazer comédia. É muito bom fazer as pessoas rirem e saírem do espetáculo relaxadas, felizes… Hoje eu me sinto muito realizada com ela.

Na Estrada com as Minas: E qual a diferença dessa versão Pocket Bar pra versão do espetáculo num teatro normal?

Michelle Ferrúcio: Aqui, a dificuldade que eu tenho agora é mais rápida, mais comédia, não posso ter muito tempo de coisas cênicas, tem um ar mais de stand-up. No teatro, pelo fato das luzes estarem apagadas, de não serem vistas, as pessoas brincam muito, falam coisas absurdas. Aqui é uma nova experiência, eu tenho que lidar com tudo. Se alguém passa na minha frente, eu não posso fingir que ela não existe, porque eu tô conversando com a minha plateia, então eu tenho que interagir com aquilo que tá acontecendo. Tem muito mais improviso, não temos luz cênica… Tecnicamente, é outro espetáculo. A gente quase não usa movimentos no chão, por exemplo.

Na Estrada com as Minas: Por que você acha que as pessoas deveriam vir assistir Dani Night?

Michelle Ferrúcio: Além de ser uma comédia, eu acho que ela tem um lado reflexivo muito interessante. Ela fala de coisas que a sociedade hoje impõe para mulher: o casamento, o fato de ter que ser magra… A comédia é uma crítica. Quando você faz um texto para comédia, quando você fala sobre certos assuntos que as pessoas riem, é para você apontar o dedo e dizer: isso está acontecendo na sociedade e as pessoas estão rindo. A Dani é uma mulher consumista, toma remédios, bebe demais… ela vai fazer você pensar. Mas ela também é uma mulher super divertida, ela fala sobre tudo isso de uma maneira bem leve, para que as pessoas se divirtam e pensem em tudo isso. Muita gente vem me dizer que age igual a Dani, é assim que acontece. Isso é legal, mas até que ponto é legal?

Na Estrada com as Minas: E afinal, será que a Dani vai desencalhar?

Michelle Ferrúcio: Eu acho que ainda não! Acho que vai demorar um pouco, porque eu quero fazer Dani Night ainda por um bom tempo! (risos)

Se você também quiser conhecer essa figura e dar boas risadas, “Dani Night: solteira, procura” está em cartaz no Espaço Cultural Olho da Rua, em Botafogo, durante todas as quartas-feiras de agosto, às 19h30 com ingressos a preços bem acessíveis: a inteira custa R$ 20, e com o panfleto ou o nome na lista amiga, fica R$15.

 




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