As delicias e dificuldades de ser uma Mae que ocupa

As delicias e dificuldades de ser uma Mae que ocupa

Antes de começar a escrever, permita-me que me apresente. Meu nome é Camila Santos e sou uma jovem universitária carioca que se tornou Mãe na hora errada, ou na hora certa, dependendo do seu ponto de vista.

Quando em 2014, no primeiro período da faculdade eu descobri que estava grávida, claro que foi um choque, eu nunca fui do tipo descuidada, mas com a morte da minha avo, a depressão e a loucura que eu estava vivendo na época não tive muito controle sobre o meu corpo. Apesar de tudo o que poderia ter dado errado – e algumas vezes, deu – se tornar mãe foi um grande presente, a fantástica luz no fim do túnel para quem já estava acostumada com a escuridão mesmo não gostando muito dela.

Ser mãe solo é uma tarefa árdua, você trabalha duas vezes mais, você dorme cinco vezes menos e precisa estar sempre alerta, ainda assim nunca será o suficiente, as pessoas vão continuar te cobrando o triplo do que cobrariam normalmente e se manter de pé se torna com certeza uma luta diária. Então quando eu me vi nessa empreitada, eu tinha duas escolhas: ou me tornaria mais uma mulher que se abstém em prol do filho, ou eu faria a diferença na minha vida e na dela.

Quando idealizei o Projeto Na Estrada com as Minas eu só queria uma boa companhia para desbravar esse Rio de Janeiro lindo com a minha cria, queria ter por perto pessoas que não me fizessem sentir desconfortável por estar com uma criança pequena num lugar “de adulto”, conhecer lugares que nunca tive a chance de visitar parecia ser uma nova e incrível perspectiva, ainda mais por que me propus a ser a pessoa que sempre quis ser, não que antes eu não fosse, mas agora parecia uma nova e melhorada versão, a versão mais real que alguem pudesse imaginar.

Criar esse projeto foi um grande desafio pessoal, e ele nunca foi sobre mim, sempre foi sobre oportunidades e felicidade. A maternidade solo na maioria das vezes é encarada de forma solitária e reclusa, mães cada vez mais ocupadas com as necessidades das crias, uma sociedade imunda que faz questão de deixar bem claro que crianças não são bem-vindas, transformando a maternidade compulsória num terrível sistema prisional, me fizeram sentir a necessidade de que algo precisava ser feito. Comecei a sentir que não só a minha realidade precisava mudar, mas eu queria dizer para outras mulheres que elas também eram capazes de fazer a diferença nas próprias vidas e que a maternidade solo não precisa e não pode ser solitária. Que ser mãe não é motivo ou desculpa para ser reclusa, para estar sempre triste por não poder dar rolês com as amigas. Se quer ir à qualquer lugar, vá! Se suas amigas nunca podem dar um rolê mais tranquilo com você e sua cria, troque de amigas, se possível exija que o pai da criança seja presente e fique com a criança pelo menos por algumas horas – e eu sei que essa parte é complicada, às vezes a gente não confia ou fica receosa, mas não se auto sabote, a responsabilidade é dos dois e você além de mãe é mulher e precisa de um tempo pra si. Pra ir ao cinema, a praia, ao shopping, ou para simplesmente não fazer nada. Mas não se feche para as oportunidades que a vida lhe oferece. Se não tem ninguém para ficar com a cria, leve. Se estão te olhando torto por estar naquele lugar, permaneça, nós não precisamos estar só onde somos “permitidas“. Nós podemos estar em qualquer lugar e eu vou te falar, não tem sensação melhor do que ver a felicidade da cria ao conhecer novos lugares, novas sensações. Das vezes que levei a Clara no Museu, nossa foi surpreendente a alegria dela vendo todas aquelas novidades nas paredes, nos tetos. Quando fomos a Praia, ela fez a festa, adorou o mar e nao queria sair de jeito nenhum e esses momentos são impagáveis, eles que tornam cada noite mal dormida, cada estresse, cada choro reprimido valerem muito a pena.

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Para quem é mãe e principalmente carrega essa maternidade nas costas sabe exatamente do que eu estou falando, mas por mais difícil que possa ser a gente precisa pelo menos tentar, amenizar um pouco toda a dificuldade, todos os obstáculos que enfrentamos diariamente, por mais que as pessoas tentem ser hostis precisamos ocupar e não pura e simplesmente pelo nosso bel prazer – que já é um ótimo motivo – mas para fazer a sociedade entender que mães e crianças não são monstros que devem permanecer numa eterna quarentena, por isso eu sempre digo e repito:

“Mães, ocupem e resistam! E se precisarem, contem comigo!”.

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Cami Santos, mãe da Clara, carioca com alma de cigana, ariana dos pés a cabeça, 22 anos. Estudante de Jornalismo, feminista negra interseccional, escritora e apaixonada por moda, viagens, fotografia e música.



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