Apaixonado por natureza? Descubra o Ecovoluntariado

Apaixonado por natureza? Descubra o Ecovoluntariado

Hoje quero contar sobre uma viagem especial que fiz há um tempo atrás, mas que até hoje me traz lembranças boas e uma vontade enorme de voltar. Em 2012 eu, que já era apaixonada por viajar, descobri uma forma diferente de fazer turismo: o ecovoluntariado em ONGs de conservação e proteção ambiental.

Mas o que é ecovoluntariado?

Diferente de ser somente um voluntário, onde você oferece o seu trabalho em troca de comida ou hospedagem, o ecovoluntário passa um tempinho maior ‘morando’ no local, doando tempo e trabalho, e além disso, é ele quem custeia todas as suas despesas durante a sua estadia, colaborando com a sustentabilidade do projeto e ajudando na sua manutenção. Algumas pessoas acham a ideia esquisita e dizem: mas eu vou pagar para trabalhar? Eu não penso assim. Acredito que o ecovoluntário tem o privilégio de apoiar uma determinada causa de forma integral quando opta por viajar dessa forma. Afinal, em outro tipo de viagem eu também pagaria pela minha hospedagem e alimentação, mas como ecovoluntária, pude ver com meus próprios olhos tudo isso sendo revertido em prol do projeto, pude ajudar sem trazer nenhum impacto financeiro para o local e ainda tive a oportunidade de estar próxima dos animais e dos profissionais envolvidos de uma forma que não conseguiria em nenhum outro tipo de viagem. Foi uma semana de experiências novas e maravilhosas e se você é, como eu, apaixonada pela natureza, fica a dica: aposte no ecovoluntariado!

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Como foi minha experiência?

Eu tinha apenas uma semana de férias disponível. Pesquisei bastante na internet e acabei escolhendo o Projeto Mucky, uma ONG dedicada a proteção dos primatas brasileiros, que fica localizada em um sítio enorme na cidade de Itu, em São Paulo. No Mucky, o tempo mínimo para ecovoluntariado é de uma semana, o que era perfeito para mim!

 

Fui muito bem recebida por toda a equipe, da qual eu também faria parte durante aquela semana. Minhas atividades lá foram planejadas de modo que eu pudesse passar pelo menos um tempinho em cada uma das áreas, para poder conhecer tudo, mas também procurando priorizar aquelas que demandam mais trabalho, como por exemplo a cozinha. Afinal, alimentar toda a macacadinha do sítio não é mole não!

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Eu acordava todos os dias bem cedinho, por volta de 6h, para ajudar no preparo da primeira refeição do dia dos bichinhos na cozinha animal. Descascar, cortar, porcionar… Quando tudo fica pronto, a comida é servida nos viveiros, de acordo com a espécie e com a necessidade de cada um. E depois, vem a louça para lavar. O trabalho lá não pára!

 

Como a cozinha tem um volume bem maior de trabalho que as outras áreas, todo dia eu participava das atividades na parte da manhã. Já na parte da tarde, eu revezava: além da cozinha, também ajudava com os viveiros, no que eles chamam de ‘enriquecimento ambiental’. Fazia redes usando tecidos, preparava cordas para os macaquinhos se pendurarem, separava bichinhos de pelúcia para as brincadeiras, tudo para deixar os viveiros mais divertidos e aconchegantes.

 

Às vezes, ia para a enfermaria para ajudar a manter o local limpo ou preencher fichas de cadastro. Lá, eu tive a oportunidade de acompanhar as biólogas da equipe no tratamento de muitos animais bem de perto. E foi na enfermaria que eu conheci o Clarck, um sagui já velhinho que precisava de muitos cuidados, como fisioterapia e inalações diárias. Não sei explicar o porquê, mas eu me apeguei tanto que acabei cuidando dele durante a semana inteira. Não tenho nenhuma formação na área, mas todas as biólogas da equipe foram muito prestativas e me ajudavam a cuidar direitinho do Clarck.

 

São muitas atividades e os dias lá são puxados. Sem contar que a emoção fica aflorada, já que o projeto abriga animais em situações diversas. Alguns macaquinhos chegam resgatados de maus tratos, outros eletrocutados na fiação da cidade grande, alguns chegam bebês, órfãos e necessitando de atenção, outros tantos mais velhinhos, com deficiências físicas… cada um recebe todo o cuidado que precisa. É lindo ver o amor de toda a equipe envolvida nesse trabalho, e fica impossível não se apaixonar também.

 

Mas não faltam momentos de diversão, viu? Desde as refeições, as conversas antes de dormir, até as escapadinhas (autorizadas, é claro!) à noite para uma pizza no shopping ou um show em uma cidade próxima. Tudo que vivemos durante esse período acaba sendo muito intenso! Conheci pessoas maravilhosas, fiz amigos e sinto muita saudade de tudo que vivi nessa semana inesquecível.

 

Se animou? Anote as dicas:

1) Algumas agências de viagens e intercâmbio oferecem programas de voluntariado, mas eu optei por entrar em contato diretamente com a instituição que escolhi. Assim, pude ter certeza de que o dinheiro seria totalmente revertido para o projeto, o que me deu mais segurança e me deixou mais feliz ainda por fazer parte disso! Eu recomendo demais o programa do Projeto Mucky (clique aqui para saber mais), mas nas minhas pesquisas descobri outras instituições que aceitam ecovoluntários:

Instituto Ekko Brasil – Projeto Lontra
Criadouro Onça Pintada
Projeto Baleia Jubarte
Reserva Ecológica Chontachaka – Manú, Perú

2) Não pense nessa viagem como lazer ou uma oportunidade de fazer selfies com animais. Leve essa experiência a sério, esteja disposto a aprender, a trabalhar duro e a dar o seu melhor em prol do meio ambiente e da natureza. Só vá se a sua intenção estiver de acordo com o que se espera de um ecovoluntário: comprometimento, trabalho e muito amor.

3) Você vai trabalhar bastante, mas isso não significa que você não vai se divertir! Esteja aberto para fazer novos amigos, conhecer pessoas diferentes, com profissões e habilidades diversas e se você quiser, irá aprender muito. Essa experiência será muito enriquecedora em todos os aspectos da sua vida – eu garanto!

 




*créditos das fotos: Projeto Mucky, 2012

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34 anos de estrada, adora se perder por aí, mesmo com um mapa debaixo do nariz. Vegetariana, pesquisadora e eterna curiosa do mundo.



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