7 verdades ruins sobre ser uma mulher viajando sozinha

7 verdades ruins sobre ser uma mulher viajando sozinha

Quando eu disse às pessoas que eu estava indo viajar sozinha pela primeira vez, as pessoas pensaram que eu a) estava louca ou b) uma tragédia estava prestes a acontecer. Tudo o que ouvi foram histórias de terror sobre seqüestro, estupro, tráfico de mulheres, e o mundo em si sendo um lugar muito perigoso. Eu tinha medo de sair de Rio, mas meu impulso para viajar e escrever sobre isso era mais forte. Não podia ser tão ruim assim.

Estou viajando sozinha já tem um pouco mais de um ano e viajar é meu estilo de vida, eu confirmei que o mundo é um lugar hospitaleiro e descobri que ser uma mulher viajante tem vantagens que eu nunca imaginei. Onde quer que eu vá, outras mulheres me ajudam e me protegem, as famílias me convidam para suas casas, as pessoas tendem a confiar em mim desde o início porque eu sou uma garota, e sempre foi fácil de conhecer as moradoras locais e se sintir bem-vinda em todos os lugares. No entanto, existem também verdades ruins de serem ditas.

Como viajante sola, há algumas verdades desconfortáveis ​​que só se aplicam a mulheres … alguns delas estão longe dos estereótipos e histórias de horror que as pessoas me contaram. Eu já havia feito uma lista sobre medos que mulheres encaram viajando sozinha, mas essa aqui é diferente.

 

1. Se você é uma mulher que viaja sozinha, as pessoas te rotulam e tem até mesmo pena de você.

Isso acontece com frequência durante minhas viagens e com a maioria das mulheres viajantes que conheço. Você faz um passeio turístico e as pessoas te acham infeliz, solitária… Você pede comida no restaurante para uma pessoa e te olham tipo, sério?! Quando na verdade você se sente justamente ao contrário, independente e feliz. Meus avós já me pediram inúmeras vezes para parar com essa ‘loucura’ de sair por aí viajando sozinha e ficando hospedada pelo Couchsurfing, eles acham que só estou segura viajando com meu namorado.

2. Quando você viaja sozinha, você não faz tudo o que você gostaria.

Sei que isso não se aplica a todas as mulheres mas tem certas coisas que eu prefiro fazer estando com um grupo de amigas. Trilhas é um belo exemplo. Eu adoro ir a trilhas mas não me sinto confortável para fazê-las sozinha, ainda mais em um luhar desconhecido. Conheço muitas garotas que fazem trilhas, trekkings e todo tipo de coisa sozinha, mas que por exemplo, não gostam de ir à praia sozinha ou à academia. Como qualquer pessoa, sempre vai ter alguma coisa que você prefere fazer estando acompanhado de alguém.

3. Em algumas culturas, ser mulher significa que você tem que seguir certas regras.

É bom saber sobre as normas culturais do lugar que você está viajando para evitar problemas ou mal-entendidos com os locais. Por exemplo, em países conservadores como Índia e Marrocos você não deve usar roupas curtas ou muito chamativas nas ruas. Nos países muçulmanos você deve se vestir apropriadamente e cobrir pelo menos seus joelhos e ombros, e às vezes seu cabelo e corpo inteiro. Como uma estrangeira, isso não é estritamente imposto a você, mas é esperado como uma forma de mostrar respeito. Pesquise muito antes de viajar para ter problemas.

4. Você recebe muita atenção indesejada e isso significa que às vezes você não pode simplesmente relaxar.

Se você é uma mulher que viaja sozinha você é um pontinho no meio da multidão, especialmente em países onde sua aparência física é diferente. Em alguns países não é normal para uma mulher estar viajando sem seu marido, você pode obter muitas “propostas”, incluindo casamentos. Eles geralmente não são agressivos, mas em alguns casos você acaba tendo que demonstrar raiva para sairem de perto de você.

 




Quando eu viajo eu adoro estar nas ruas experimentando a rotina local. Eu também gosto de sentar em cafés ou praças para tomar notas sobre o meu dia, mas em muitos lugares é difícil fazê-lo sem ser interrompido. Em Buenos Aires, quase toda vez que me sentei em algum lugar sozinha fui abordada por homens dispostos a conversar. Sendo de uma cidade como o Rio, onde você não pode caminhar por um canteiro de obras e esperar para não ser assobiada, eu não me sinto muito intimidados pelos sons ou olhares, mas cansa ser o centro das atenções, especialmente quando você só quer relaxar e se misturar.

5. Higiene pode ser um problema, especialmente durante a menstruação.

Tem lugares que você pode visitar que simplesmente não tem o mínimo de higiene básica, como tomar banho em baldes e usar o mato como banheiro. Estando menstruada então é duas vezes pior porque provavelmente nesse lugar não se vende nenhum tipo de absorvente. E sobre depilação… tem culturas que as pessoas não se depilam, então caso você esteja acostumada a fazer isso com frequência, pode ter problemas para achar algum meio de depilação.

6. Você é visto como mais vulnerável e isso pode levar a situações perigosas.

Em um país estrangeiro ou em casa, andar sozinha à noite significa que você pode estar exposta a situações perigosas. Uma noite em Santiago no Chile, uma das áreas mais turísticas e cheias da cidade, fui seguida por um homem. No começo eu pensei que era minha imaginação, então entrei numa loja esperando que ele fosse embora, mas dez minutos depois eu o vi lá fora, esperando por mim. Ele continuou andando atrás de mim e, embora estivesse cheio de pessoas, eu me senti tão assustada que tomei um táxi de volta para o hotel.

7. E sim, há sempre o medo – e possibilidade – de assédio sexual ou estupro.

Mesmo eu confiando nas pessoas e sabendo que o mundo é um bom lugar, eu também sei que um dia eu posso estar no lugar errado na hora errada e as coisas podem ficar fora de controle. Eu não penso sobre isso todos os dias e eu não fico paranóica, mas eu sei que é uma possibilidade. Assédio sexual e estupro pode acontecer e aconteceu com mulheres viajantes, e países como a Índia e o Egito tem má imprensa por causa disso.

Mesmo experiências Couchsurfing pode acabar sendo muito desconfortável, como escuto com várias mulheres reclamando sobre se hospedarem em casas de homens. Aparentemente, há uma cultura tácita de sexsurf que é melhor estar ciente de antemão, a fim de evitar surpresas. Isso significa que temos que ter cuidado extra quando decidimos ficar na casa de alguém ou fazer carona no carro de alguém, e isso significa manter a guarda e estar mentalmente preparados para certas situações.

 

Bom, tudo isso dito, cada mulher tem uma zona de conforto diferente e todos nós temos senso comum.
Estes pontos são baseados em minha experiência e variam de mulher para mulher. Todas nós temos limites diferentes e zonas de conforto, e nada disso deve parar qualquer mulher de viajar. Eu acredito que o mundo é um lugar seguro e que ser uma viajante sola ensina você a confiar nos outros e confiar em sua intuição. Como mulheres temos que estar atentas a certas coisas, mas as recompensas de ser uma viajante mulher solitária superam todas essas verdades. Elas são apenas parte da estrada. Seja feliz!

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Luiza Helena, carioca de 19 anos tão apaixonada pelo Rio de Janeiro que se tornou guia de turismo. Praticante de tutoriais de ‘Faça Você Mesma’, feminista, sagitariana e boêmia, não consegue ficar muito tempo sem viajar, conhecer novas pessoas e ter experiências únicas por esse mundão!



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