Autoconhecimento Na Estrada com as Minas

Setembro Amarelo: precisamos falar sobre prevenção

A Marcela nos cedeu carinhosamente essa incrível foto que ela postou recentemente em seu instagram @voucomela e falou um pouco sobre o Setembro Amarelo.

Esse não é um artigo científico. Muito menos um artigo didático. Este é um artigo escrito baseado em sentimentos… Pois é disso que quero falar nesse Setembro Amarelo.

Conscientização em filmes e séries

Semana passada eu estava assistindo ao filme Divertidamente, uma animação da Pixar, pela quinquagésima vez, sei lá… rs Eu já vi esse filme muitas vezes e lembro que na primeira vez, eu e minha filha – de apenas 2 anos na época – fomos capturadas pela essência do filme. Um filme que eu diria ser “bonitinho”, mas que nos ensina poderosas lições sobre os sentimentos humanos.

“No filme, Riley, uma menininha de apenas 11 anos está com seus sentimentos confusos após uma mudança inesperada não só de casa, como na rotina de toda a família. E além de ter que lidar com os novos obstáculos, Riley está em uma luta interna para entender seus próprios sentimentos.”

Nessa mesma semana eu assisti também “Sierra Burges é uma Loser”.

“Um filme que retrata uma adolescente na fase escolar, que não está dentro dos padrões de beleza e que precisa lidar com sentimentos opressores. Como se sentir feia, comparada a garota mais popular da escola. E se sentir invisível, comparada ao Pai que é um gênio, um escritor renomado. Por não se sentir especial, Sierra acaba tendo comportamentos duvidosos para ser aceita e sofre as consequências de tentar se encaixar a qualquer custo.”

E um pouco antes disso, eu assisti: “Para todos os garotos que já amei

“Um filme muito fofo, que fala sobre primeiros amores, mas também fala sobre autoestima e sobre como é ruim viver à sombra de alguém. Como é difícil assumir suas próprias decisões. E como é difícil perceber que podemos ser amadas, pelo jeito que somos, com todas as qualidades e defeitos.”

Apesar dos dois últimos citados serem filmes originais da Netflix, os três têm algo muito peculiar em comum: sentimentos confusos.

Como entender o que estou sentindo?

Ao assistir esses filmes, algo despertou em minha mente… Como nós entendemos o que estamos sentindo? E mais… Como sabemos se aquele sentimento não é um gatilho para algo pior?

Comecei a pensar nisso, pois em Divertidamente por conta de uma mudança brusca na estrutura da família, Riley, de apenas 11 anos começou a perder conexão com tudo o que definia quem ela era: família, amizade, honestidade, diversão. Tudo foi distorcido e Riley passou a ver o mundo com uma visão míope. Enquanto seus pais e amigos lidavam cada um com seus próprios problemas.

Em Sierra Burges é uma Loser acontece algo parecido. Sierra se sente “tão bem” em ser aceita, pela primeira vez, ao encontrar alguém que a compreende. Que cria um mundo fictício onde ela se afunda cada vez mais em sua própria mentira. Isso significa que Sierra é uma má pessoa? Eu acredito que não, mas acredito que ela estava tão perdida que não conseguia entender ou aceitar o que estava sentindo.

Assim como Lara Jean, em Para todos os garotos que já amei. Ela tinha sua irmã mais velha como sua âncora emocional. E a ausência da irmã deixou-a totalmente perdida, sem saber em qual direção seguir e às vezes, encontrar o próprio caminho é mesmo muito difícil.

Qual caminho eu devo seguir?

Vocês devem achar que estou falando um monte de bobagem citando três filmes de ficção, mas o que é a dramaturgia se não uma cópia da realidade?

Quantos jovens estão perdidos em seus próprios sentimentos? Sem saber para qual direção seguir. Desconectados do mundo real, onde eles possuem amigos, família, emprego, uma vida real.

Quantas vezes, nós julgamos alguém por achar que aquela pessoa fala bobagem demais, ou sofre demais, mas quantas vezes paramos de verdade para analisar a situação como um todo e entender que talvez essa pessoa esteja precisando de ajuda?

Os três filmes que citei acima não falam sobre suicídio ou depressão de forma explícita, como “Os 13 Porquês” – e todos inclusive possuem finais “felizes”, mas o que quero chamar atenção aqui é para como nós estamos cegos aos sinais.

Perceba as pessoas a sua volta

Gostaria de fazer um convite: que tal analisar o seu círculo social? Tenho certeza que fazendo uma análise crítica, você perceberá que se aproximou e se afastou de inúmeras pessoas no decorrer dos anos. E que cada uma delas lida com seus sentimentos de maneiras distintas.

Agora, outro desafio: que tal analisar a si próprio?

O mal do século

A depressão, a algum tempo foi considerada o “mal do século” e eu me pergunto: “será que todos estamos doentes?” E por favor, não leve na brincadeira minha pergunta. Mas quanto mais eu paro para analisar a mim mesma e aos meus amigos, familiares e companheiros de trabalho, mais eu percebo que estamos cada vez mais ansiosos, insatisfeitos com a nossa realidade, querendo sempre alcançar um patamar alto demais. Essas insatisfações podem caminhar para um quadro de depressão.

A depressão é uma doença que atinge a todas as pessoas, raças e classes. Atualmente, 400 milhões de pessoas convivem com o distúrbio no mundo. Foi feito um estudo no Brasil, pela Universidade de Harvard que mostra que em 18 localidades há uma prevalência da depressão, com um total de 10,4% de indivíduos atingidos.

E a taxa de mortes relacionada a episódios depressivos (incluindo suicídios) aumentou 705% por aqui nos últimos 16 anos, segundo pesquisa realizada pelo jornal O Estado de São Paulo.

Agora eu pergunto: Por que estamos sendo tão exigentes? Conosco e com os outros? Que tal relaxar um pouco e entender que “o que não tem remédio, remediado está”?. E que algumas situações da vida são sim desfavoráveis, mas a vida é muito bonita.

Eu não estou aqui para dizer que “tudo vai ficar bem”, por que às vezes não fica. Às vezes, inclusive piora. No entanto, eu quero convidar a todos para um debate saudável sobre as nossas provisões de vida. Sobre nossas expectativas e perspectivas. Quero convidá-los a estarem mais presentes: em suas próprias vidas e nas vidas das pessoas que você ama. Pois a vida é um sopro.

E não queremos que o “amanhã eu converso com ele(a)” seja tarde demais.

Se cuide e cuide de quem você ama. Depressão não é bobagem ou frescura. E se você estiver se sentindo mal por algum motivo, não tenha medo de procurar ajuda.

Onde encontrar ajuda:

  • Centro de Valorização à vida: Ligue 188
  • Instituto da Família – INFA (RJ): 21 2269-0896
  • Universidades de Psicologia: eles geralmente oferecem ajuda psicológica a preços acessíveis

Setembro Amarelo

Mês de combate ao suicídio

P.s: gostaria de deixar registrado que, apesar de o mês de setembro ser o mês de visibilidade. Precisamos estar atentos aos sinais o tempo inteiro.

Você não está sozinho. Você é especial. Você é amado.

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