Autoconhecimento Na Estrada com as Minas

Editorial: as mudanças fazem parte do processo de autocura

Geralmente um Editorial se faz no início de um mês, mas eu resolvi quebrar as regras e fazer esse Editorial mesmo com o mês já começado por que ele será muito importante para que vocês entendam os processos que estamos passando.

Faz algum tempo que tenho andado sem propósito. Os dias estão mais difíceis, o ar está mais carregado e a minha vontade de fazer as coisas têm diminuído de forma considerável. Não que eu goste ou me orgulhe de dizer essas coisas, mas cada um tem o seu “inferno particular” e nem só de momentos bons se vive o ser humano – e não é vergonha nenhuma assumir isso. No entanto, mesmo com toda essa bad o intuito desse post não é falar sobre tristezas, mas sim sobre transformações como parte do processo de autocura.

Eu poderia passar anos a fio construindo uma lista de coisas, pessoas e situações que me puxam para baixo, mas eu resolvi fazer diferente, quero falar das coisas que me mantém firme de pé, então vamos lá?

O blog, novo layout, mudanças na equipe e amadurecimento profissional

Não sei se vocês perceberam, mas nós estamos de cara nova! Recentemente trocamos o nosso layout para torná-lo mais intuitivo e com melhor navegabilidade. E isso me deixou tão animada, já fazia muito tempo que eu queria trocar algumas coisas por aqui, mas essa mania de ser perfeccionista não me deixava seguir em frente, com o problema da falta de verba também acabamos adiando – e muito! – essa importante decisão. Ainda não é definitivo, mas fiquei muito satisfeita com o resultado, há muito tempo eu queria um layout com um ar mais profissional e acho que agora acertamos na mão.

Em paralelo a isso, tivemos algumas mudanças recentes em nossa equipe, o que me fez refletir muito sobre a minha gestão. A primeira conclusão que eu cheguei foi: “que merda eu estava pensando quando montei uma equipe?” – risos – e por favor, não me entendam mal, eu amo a equipe e a proposta de o projeto ser uma rede colaborativa, mas eu não estava preparada para tal responsabilidade. Tanto não estava, como eu ainda não estou, que dirá há dois anos. Mas mesmo assim eu meti as caras, acertei, errei e, com certeza, aprendi que gerir pessoas diferentes é muito difícil, gerir sem dinheiro é mais difícil ainda e uma das coisas mais impossíveis da vida é manter sua equipe motivada quando você mesmo está totalmente perdida.

Então já peço aqui as minhas sinceras desculpas a todas as pessoas que foram impactadas pela minha falta de experiência em gestão e queria dizer que cada pessoa que passou por esse projeto foi importante, seja para somar ou para nos fazer aprender.

E aí, comecei a pensar no meu amadurecimento pessoal/profissional. Tenho vivido um eterno conflito pessoal/profissional que não me cabe falar aqui agora, deixo isso para outro post, mas isso tem minado todas as minhas energias. Por um lado, eu preciso ter grana para sustentar a casa e a minha filha e por outro está o projeto, o meu grande sonho de vida e eu fico no meio disso tudo correndo de um lado para o outro me perguntando o tempo todo “como fazer?”.

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Bom como fazer eu ainda não sei, não consegui descobrir, mas continuo tentando e buscando. Quero parar de me sentir frustrada por tudo o que não fiz ainda ou não consigo fazer no momento, quero começar a celebrar a pequenas e importantes conquistas que me fizeram chegar até aqui.

Tenho andado muito fragilizada e com a autoestima lá embaixo, o que nos leva ao próximo tópico.

Para os dias de crise: uma pitada de positividade, autoestima e bons amigos.

Sabe quando você se sente sem forças? Você não quer falar com ninguém, não quer ver ninguém, sua cabeça não para de doer de tanto pensar e tudo o que você mais quer é: SILÊNCIO.

Pois era assim que eu estava me sentindo… Uma solitária dentro da minha própria solidão. Parei de apreciar os bons momentos, não tinha mais tempo nem vontade de meditar, voltei a enfiar o pé na jaca no sentido financeiro e de alimentação e tudo o que eu conseguia fazer por vários finais de semana seguidos era assistir a incontáveis temporadas de uma séria qualquer.

Foi então que comecei a me questionar porque estava mergulhada em meio a escuridão. A primeira resposta que me veio a mente foi: EXAUSTÃO. Eu estava cansada. De tentar e não conseguir, de nunca ter tempo, de estar sempre cansada, de falar com as pessoas e elas não me ouvirem. E com isso fui adoecendo sem parar. Eu estava em crise e não conseguia aceitar isso como a minha verdade. Eu não queria estar tão triste. Eu queria me recuperar. E comecei a pensar em formas de me curar.

Para que possamos compreender o que nos adoece, precisamos analisar de forma criteriosa o nosso comportamento, só que fazer uma autoanálise, uma autocrítica é um processo muito doloroso. Nem sempre queremos externar o que tem nos apodrecido e por um lado isso até faz algum sentido, pois só quem pode nos curar somos nós mesmos. Então algumas respostas para perguntas que me fazia de forma frequente começaram a vir à tona.

“Por que eu passava horas assistindo várias séries antigas? Elas eram tão interessantes assim?”

“Sim, algumas até eram, mas esse momento, era o único momento em que minha mente parava. Eu não pensava em nada. Não ficava atualizando o telefone para ver se recebia notificações de pessoas que não queriam falar comigo, não ficava louca estudando formas de obter o sucesso profissional, não pensava na frustração que sentia por estar tão atrasada na faculdade, eu simplesmente desligava”.

E por alguns momentos foi só o que eu quis, desligar, não pensar, não sofrer, não sentir, mas então a minha pequena luz me sorriu.

Quando eu estou em crise, eu gosto de olhar para o rosto da minha filha e tentar memorizar o máximo de detalhe que conseguir. Como os olhos dela se fecham quando sorrir, e como aparecem umas covinhas salientes em sua bochecha. Como os olhos dela brilham a luz do sol e no quanto nós duas nos amamos. E esse é o lugar que eu queria chegar, o amor… Por mais clichê que possa parecer é a solução para todos os nossos problemas.

Quando nós amamos quem somos, as pessoas ao nosso redor, o que fazemos e o que temos. Nós amamos a nós mesmos e a vida. E isso nos torna seres que mesmo em meio ao caos, sorri. Mesmo na chuva, se molha. Mesmo triste, faz o bem ao próximo. E mesmo magoado, perdoa.

O dom que temos de amar, perdoar, reconstruir é fantástico, essa é a essência do ser humano, mas então por que não conseguimos nos amar, nos perdoar, nos reconstruir? Por que é tão difícil aceitar e conviver com seus próprios erros? Não ser consumidos pela culpa?

Por que somos tão exigentes?

Foi quando no meio de uma viagem que tinha tudo para ser ruim – por que meu estado de espírito estava ruim, para baixo – eu resolvi olhar as coisas boas que estavam acontecendo ao meu redor.

E isso me fez entender que mesmo que tudo pareça perdido, não está. Que você ainda pode sorrir, mesmo quando está triste. Que se alguém te magoou, você infelizmente não pode condenar, na verdade você não é responsável pela forma como as pessoas agem, você só é responsável pela forma como se sente.

E se sentir acolhida, mesmo por quem você não espera é uma das sensações mais reconfortantes dessa vida.

Para finalizar esse texto, quero compartilhar duas situações que me fizeram perceber que eu precisava mudar a minha perspectiva:

A primeira situação foi um tanto inusitada. Eu estava chegando em São Paulo, totalmente atribulada, com os sentimentos confusos, perdida e sentia como se estivesse cometendo um erro ao fazer aquela viagem, estava triste pois tinha expectativas a respeito de uma pessoa e essa pessoa nem chegou perto de supri-las, na verdade ela me jogou ainda mais para baixo e eu me sentia desolada. Então eu parei no meio do caminho e apreciei a beleza de fazer um lanche sozinha, em uma cidade que eu adoro. Eu estava confortável comigo mesma. Um tempo depois eu encontrei uma pessoa, que me fez sentir especial, não pelo que ele me ofereceu, mas pela forma que essa pessoa me acolheu. Pela forma que ela me abraçou com os olhos.

Na segunda situação, eu percebi a importância de se ter bons amigos. Aqueles sabem que te acariciam com palavras, que te confortam com um sorriso e que vibram na mesma sintonia que você. Amigos que renovam suas energias e te fazem sentir potentes, mesmo à distância. Amigos que por um momento me resgataram do meu pior inimigo, eu mesmo.

E eu voltei de São Paulo convicta de que precisava mudar. Não preciso me destruir dessa forma a troco de nada. Eu sei que haverão dias que tudo parecerá difícil e que o mundo desabará em cima de mim, mas eu quero resistir. Quero ser mais consciente, mais positiva, mais resiliente. Quero voltar a vibrar.

E falando de decisões mais conscientes, essa semana eu tomei três que com certeza impactarão minha vida de alguma forma – seja para pior ou melhor…

  • Larguei a minha psicóloga

  • Comecei um diário

  • Preciso parar de me sentir culpada/envergonhada por tudo

Nas duas primeiras decisões me senti a pessoa mais idiota do mundo, a primeira por motivos óbvios, mas talvez eu tenha romantizado muito a terapia, mas senti que não tínhamos sinergia e eu só estava indo por que “já estava pago” e eu não quero fazer mais nada por obrigação. A segunda foi uma decisão que posterguei por dias por que me sentia uma adolescente só de pensar no assunto, mas eu gosto tanto de escrever e se eu preciso mesmo colocar tudo o que eu sinto para fora, porque não da forma que eu mais amo e me identifico?

A última – e talvez a decisão mais importante – não tem a ver com algo palpável, é interno, é relação “eu comigo mesmo”. E talvez seja a mais difícil, mas eu sei de toda as minhas falhas, sei de todas as minhas dificuldades e conheço todos os meus limites. Sei o quanto erro, mas eu também acerto muito e não quero deixar mais as pessoas me fazerem sentir culpada por coisas que fogem do meu controle. Eu quero ser livre e eu vou conseguir! Esse é um compromisso que quero firmar comigo mesmo.

E todas essas mudanças de perspectivas, essas expectativas frustradas, as reviravoltas que a vida dá, tudo isso faz parte do doloroso processo de autocura, de se perdoar e de se aceitar.

Eu iniciei o meu processo e você, está pronto para começar a refletir sobre o seu?




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4 COMMENTS

  • Não é fácil mesmo passar por um inferno particular. Mas a visão que você tem de focar naquilo que te faz bem, é a melhor coisa para ir melhorando. Muito sucesso para o blog

  • Juliana Moreti

    Entendo bem este teu lado, me sinto assim às vezes.
    Certa vez uma terapeuta me fez perceber que eu agarrava “o mundo” com as mãos e depois não sabia o que fazer com tudo aquilo. E se uma das coisas que estavam agarradas as outras caiam, tudo caia junto. Foi uma metáfora de uma vida na qual eu queria fazer muita coisa, mas que eu não conseguia por nada em término. Escrever me fez bem! Muita das vezes é melhor que terapia.

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