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Viajar sozinha: uma necessidade

Confesso que até 4 anos atrás, viajar sozinha nunca havia passado pela minha cabeça. Na verdade, acho que nunca me permiti pensar muito nisso. Vivi em um relacionamento dos 21 aos 27 anos, que atravessou minha graduação e minha entrada no mercado de trabalho. Ganhei minha independência financeira, mas ainda assim deixei de fazer muita coisa por achar que não poderia ir só.

Viagens de casal e de amigos sempre rolavam. Eu estava sempre inventando alguma coisa pra fazer. Meu par era minha companhia constante. Pensei várias vezes em fazer intercâmbio, mas sabia que para ele não daria e não achava justo ir sozinha. Ao final de quase 7 anos, decidi dar um ponto final na relação, por motivos que nada tinham a ver com as viagens.

Ou melhor, até tinham, ele achava que eu queria viajar demais e tínhamos que guardar dinheiro para o apartamento e outras coisas mais que envolvem a vida adulta tradicional. Mas eu queria mais do que a vida de adulto tradicional e do que o papel que a sociedade esperava de mim como mulher.

Quando me vi sozinha a ficha caiu: “como vou fazer pra viajar agora que estou só? Preciso de uma companhia.” Com os amigos não rolava, as agendas não batiam. Encontrei um novo amor, mas estava no mesmo impasse de não conciliar o tempo. Então um dia vendo promoções de passagens aéreas me decidi: vou sozinha.

Comprei as passagens, com destino a Curitiba. Comecei a planejar a viagem, coisa normal pra mim, já que sempre fazia todo o planejamento mesmo. Chegando perto do fatídico dia, começou a me dar um medo, uma insegurança… E se bater a bad? E se eu não conseguir sair do hostel? E se eu me sentir insegura? E se alguma coisa der errado? Esses vários “e se” que povoam a nossa mente diante de algo novo e que às vezes nos paralisa.

Curitiba

Chegou o dia e eu fui com medo mesmo. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Descobri o quanto sei me virar, o quanto gosto da minha companhia, que não sou tão bicho do mato assim e consegui falar com pessoas estranhas.

Depois dessa vieram outras viagens. Algumas até mais ousadas como o intercâmbio em Buenos Aires e o trabalho voluntário na Chapada dos Veadeiros.

Montevidéu

Hoje, desse lugar do qual me apropriei, fico pensando o quanto é estranho não fazer as coisas sozinha. Até ir ao cinema sozinha, coisa que achava que me deixaria pra baixo, foi um experiência prazerosa.

Eu amo viajar com meu par, mas viajar sozinha se tornou uma necessidade. Ainda me dá medo como da primeira vez, mas esse é um medo que não me paralisa. Algumas pessoas ainda estranham o fato de eu como mulher e casada me aventurar sozinha por aí. Mas estranho pra mim mesmo é a mulher que não se permite essa experiência. Seja por medo de ir só, seja por medo de deixar o companheiro e/ou os filhos, seja por se sentir insegura, seja por achar que vai ficar sozinha o tempo todo.

Buenos Aires

Existe uma frase que circula pelas redes sociais que diz: “Incentive sua filha a viajar e não a buscar marido”. Eu digo “Incentive sua filha a viajar e se ela encontrar alguém, que esse alguém apoie suas viagens também.” Se nós não formos as idealizadoras de nossos sonhos, ninguém será pela gente. A nossa sociedade infelizmente ainda estranha a mulher que dá certos passos sozinha.

O que é muito triste. Ninguém questiona quando um homem diz que vai viajar só. Agora quando uma mulher diz que vai viajar só, surgem os olhares de espanto e desconfiança, de outras mulheres inclusive. Sei como é chato, também já estive do outro lado. Mas ainda bem que a gente muda.

Ilhéus

A experiência de viagem solo deve ser vivida por todas, pelo menos uma vez na vida. Essas minhas viagens e percepções me levaram a criar o Tour das Minas, como forma de incentivar e empoderar mulheres a saírem sozinhas. Sei que muitas vezes nos sentimos mais seguras quando estamos juntas. A ideia é promover passeios e viagens para o público feminino. Sei que ainda assim muitas ficam receosas, mas é maravilhoso ver a mudança naquelas que se permitem essa experiência.

Chapada dos Veadeiros

Então vamos nos permitir, ousar mais, sonhar mais. Podemos ser e fazer tudo o que quisermos. Espero que daqui a um tempo uma mulher viajar sozinha seja uma coisa tão normal quanto é para os homens.

Para saber mais sobre minhas viagens acesse www.boradescobrir.com.br

E para saber sobre o Tour das Minas, siga também no Instagram e Facebook.




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1 COMMENT

  • Rosanna

    Parabéns , abrindo as algemas de ter que atender a expectativa do outro lhe deu a liberdade de voar . Fico muito feliz

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