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La Casa de Papel e a semelhança entre os lugares e personagens

Se em 1997, alguém tivesse dito que a Netflix seria uma gigante no mercado de filmes e séries de televisão via streaming, acredito que muitos de nós, se não a maioria daríamos muitas risadas. Com o fim das locadoras, a empresa se tornou quase que item essencial nas contas do mês, com uma assinatura que cabe em todos os bolsos conquista cada vez mais “fãs” por apresentar um serviço de qualidade e sua irreverência na comunicação.

Há algum tempo atrás, as redes sociais foram tomadas por uma estranha “La Casa de Papel” série espanhola, criada por Álex Pina para as redes de televisão Antenas 3, que foi adicionada internacionalmente ao catálogo da Netflix em dezembro de 2017 com uma edição e quantidade de episódios diferentes – a 2° temporada lançada no último dia 06 de abril é na verdade a segunda parte da primeira temporada que provavelmente foi dividida de maneira muito estratégica, inclusive a Netflix foi brilhante na comunicação da estreia da 2° temporada “trollando” as pessoas que não conseguiram esperar o grande dia e acabaram assistindo ao final da trama antes do grande lançamento, com uma campanha intitulada como: “Eu escolhi esperar”, protagonizada pela queridíssima Sandy, fazendo uma alusão sensacional à ingenuidade que a moça carregou durante muitos anos. Estrelada por Úrsula Coberó (Tókyo), Alba Flores (Nairóbi), Álvaro Morte (Él Profesor) e grande elenco a série foi aclamada pela crítica e concorreu à diversos prêmios na Espanha, ganhando inclusive o troféu de Melhor Direção no Festival da Série MIM ano passado, entre outros.

Apesar de ter resistido o suficiente, inicialmente, antes de cair nas graças de La Casa de Papel preciso confessar que assim que assisti o primeiro episódio fiquei totalmente “vendida”, eles me ganharam assim como conquistaram milhares de fãs e “seguidores” logo na primeira “tacada”, no Carnaval o macacão vermelho e a máscara de Dalí foram hits incontestáveis, no entanto o que me levou a escrever sobre a série foram duas questões muito latentes para mim durante a série inteira. A primeira questão é sobre os codinomes escolhidos para cada ladrão…

CODINOME: CIDADE

A série que é ambientada na Espanha, mais especificamente em Madri conta a trajetória de oito ladrões que encabeçados pelo Professor planejam “assaltar” ou melhor, fabricar seu próprio dinheiro na Casa da Moeda da Espanha, um plano que foi meticulosamente articulado para não abrir brechas para falhas, era tudo muito simples: entrar, ganhar tempo, imprimir dinheiro e não machucar ninguém, essas eram as principais regras.

Para que o plano desse certo o Professor precisava que seus companheiros não criassem nenhum tipo de vínculo afetivo, muito menos romântico, e qual a melhor forma de deixar alguém do lado de fora da sua vida? O mais distante possível? “Roubando” sua identidade para que nem se o outro quisesse muito conseguiria descobrir quem é você, assim o Professor ordenou que os comparsas escolhessem codinomes que os identificassem e sob hipótese nenhuma seus verdadeiros nomes poderiam ser revelados, assim surgiram: Tókyo, Nairóbi, Moscou, Denver, Berlim, Rio, Henlsinque e Oslo.

Tókyo – feita de amor e caos

Interpretada por Úrsula Coberó, a história começa com Tókyo – antes até de conquistar esse codinome – narrando o que a levou até ao grande assalto. Tókyo é uma mulher forte e inconsequente que vive perigosamente há tempos, sem perspectiva e sem esperança encontra no Professor a sua “grande chance” de uma vida menos “ferrada”, mas a jovem é um imã de dramas dignos de novelas mexicanas e conquista a todos por sua irreverência. É o tipo de personagem que ou você ama ou você odeia.

Semelhanças com a Cidade

Assim como a Cidade, Tókyo é vibrante, moderna e têm costumes interessantes que podem surpreender as pessoas à sua volta a todo momento. Previsibilidade não é o seu forte, porém apesar de ter o seu lado irreverente bem aparente no fundo conserva um tradicionalismo caricato.

É curioso perceber as sutilezas da trajetória da personagem que se assemelham à cidade que representa. Seu comportamento caótico e destrutivo pode fazer uma referência aos problemas causados à cidade por consequência de ações da natureza que chegam de forma sorrateira e impactam a Capital de forma irreparável.

Tóquio – Capital do Japão

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Nairóbi – foco na missão

Alba Flores dá vida à Nairóbi, a personagem mais carismática da série que “roubou” o coração de todos que assistiram a reviravolta emocionante onde ela mostra a que veio. Inicialmente tida como “louca”, se mostra a personagem mais focada no plano, logo sendo a mais sensata, como ela mesmo diz “não vai deixar ninguém estragar o plano” e ela não deixa, segura as pontas com mãos firmes sempre que necessário e surpreende por sua lealdade e profissionalismo.

Semelhanças com a Cidade

Assim como a maior parte da população em Nairóbi, nossa personagem viveu na extrema pobreza, ao engravidar de um namorado que a abandonou assim que soube da criança, ela acabou fazendo uma escolha errada – talvez a única que tivesse – e se envolveu numa vida de crimes, se tornando a melhor falsificadora da Espanha, ela consegue criar cópias perfeitas de tudo o que possa imaginar.

Assim como a Cidade, Nairóbi é uma mulher em ebulição que superou as dificuldades e se desenvolveu de forma espetacular, tornando-se alguém extremamente organizado, focada em seus objetivos financeiros, sem esquecer da empatia e dos valores culturais. Seu carisma e empoderamento surpreendem em diversos momentos

Nairóbi – Capital do Quênia

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Moscou – a segunda impressão foi a que ficou

Paco Tous interpreta Moscou, um dos meus personagens favoritos da série, apesar de passar boa parte do tempo trabalhando calado, ele protagoniza momentos emocionantes, seu filho Denver é a sua maior força e fraqueza, o que torna a relação dos dois muito íntima. Superprotetor, Moscou é “como um pai” para todos os envolvidos no assalto todos o respeitam por sua condescendência.

Semelhanças com a Cidade

À primeira vista, Moscou pode intimidar, tanto a cidade quanto o personagem por incontáveis motivos, mas em uma aproximação é bem provável que essa primeira impressão seja apagada diante de alguém –  ou de um lugar – vibrante e com uma bagagem histórica considerável. Moscou nos proporciona momentos únicos e de profundo encantamento.

Moscou – Capital da Rússia

Denver – Com ele não tem tempo ruim

É o personagem que vai se mostrando aos poucos, por isso é preciso alguns episódios para finalmente engatar um relacionamento sério com o rapaz e quando engata é para a vida toda. Rapaz esse que ora é louco, ora responsável e comprometido.

Denver me lembra muito Ferris Bueller em “Curtindo a Vida Adoidado”, onde um rapaz metido que só quer curtir a vida e quebrar todas as regras sai pela cidade sem nenhuma preocupação na cabeça. Apesar de aparentemente ele parecer ser um bad boy malandrão, Denver surpreende sendo muito respeitoso e amigo para com seu pai e fiel aos seus ideias.

Semelhanças com a Cidade

“Bem-vindo a Denver, onde há 300 dias de sol por ano”

É assim que Denver se apresenta em sua página oficial de Turismo e é assim que nos sentimos ao conhecer melhor o personagem Denver – vivido por Jaime Menendéz.

Depois dessa apresentação eu poderia parar por aqui, mas me atrevo a dizer que tanto a cidade quanto o personagem têm espíritos jovens, e o personagem traz um frescor surpreendente para os momentos mais tensos da série. Parece que com Denver não tem “tempo ruim”, ele sempre “dá” um jeito para tudo – ou pelo menos tenta.

Denver – Capital do Colorado

Berlim – uma relação de amor e ódio na mesma medida

Pedro Alonso dá vida à Berlim, um dos personagens mais odiados da série que comanda os oito ladrões no maior assalto da história. Eu tentei várias vezes gostar dele e apesar de entender a escolha do Professor de coloca-lo no comando, desconfio muito de sua metodologia. Berlim é um ladrão especializado no roubo de joias e entrou para o mundo do crime para manter o alto padrão de vida ao qual ele estava acostumado desde pequeno, ele acredita ser superior ao resto da quadrilha e despreza a todos internamente. Por vezes, ele é bastante violento e tem comportamento imprevisível.

Berlim, assim com Tókyo desperta apenas dois sentimentos: amor e medo. É outro personagem que ou você ama, por sua inteligência e por fingir bem estar no controle – o que justifica a escolha do Professor de coloca-lo no comando. Ou você o odeia por sua completa falta de empatia  e sua violência disfarçada.

Semelhanças com a Cidade

Berlim é um Ditador. O que torna a escolha e a comparação muito ousada, arriscada até. Que desafia o espectador ao seu limite de compreensão. Eu particularmente achei genial a escolha e a referência a um passado sombrio que ninguém gosta de lembrar, mas que é preciso para que os erros não se repitam. Berlim, assim como a Cidade é extremamente fiel às suas raízes, apesar de sua história e comportamento condena-lo logo de cara, ele não se importa com os pré-conceitos “cuspidos  na sua cara” e preza muito por ter um “nome limpo”. Como a Cidade, Berlim é um personagem AVASSALADOR que vai te fazer sentir coisas das quais nunca imaginou que poderia sentir.

Berlim – Capital da Alemanha

Rio – qualquer semelhança não é mera coincidência

Rio é um dos personagens mais favoritos da massa, principalmente pelas adolescentes que vibram a cada aparição do rapaz. Rio tem uma característica muito peculiar, ele é um gênio da informática, com suas habilidades ele consegue hackear e invadir qualquer coisa que seja eletrônica. Quebrando a primeira e mais importante regra de todas, “o inocente” Rio se apaixona pela “devassa” Tókyo e esse é o começo do fim.

Semelhanças com a cidade

Rio, interpretado por Miguel Herrán é um personagem muito sensível e apesar de estarem em uma situação delicada e ao mesmo tempo caótica – um assalto à Casa da Moeda da Espanha com 67 reféns – Rio – assim como Denver – tenta “humanizar o atendimento” aos reféns, sendo simpático mesmo que aponte uma arma para a cabeça dos mesmos.

Quer algo mais próximo do Rio de Janeiro do que isso? A acolhedora cidade que por vezes lança sob seus moradores e visitantes um medo terrível do que possa acontecer, um passo em falso e já era. Apesar do caos dessa instabilidade – tanto do personagem quanto da cidade – Rio consegue conquistar o coração de quem o conhece por seu jeitinho carismático e estranhamente familiar.

A energia, a jovialidade e sensibilidade são as características que mais aproximam o personagem da vida real.

Rio de Janeiro – Brasil

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Oslo e Helsinque – o elo perdido e o fiel escudeiro

Oslo e Helsinque são os gêmeos sérvios que garantem o sucesso dos planos do Professor, especialmente aqueles que envolvem operações de risco e muita FORÇA. Eles são como uma válvula de escape pronta para ser ativada caso algo não saia como planejado e é muito interessante perceber a sincronicidade que os torna tão íntimos.

Numa ponta temos Helsinque, interpretado por Darko Peric é um personagem que apesar de ter uma presença impactante é caladão e difícil de descrever. Ele têm tiradas ótimas na série apesar de ficar por vezes em segundo plano. É um personagem sutil e que fez a nossa alegria principalmente nas interações com o odiado “Arthurito”. Muito leal ao seu gêmeo Oslo, à sua família e a seus próprios ideais.

Semelhanças com a cidade

Henlsinque é a Capital da Finlândia e apesar de ser a maior cidade do país, possui apenas 620 mil habitantes ela já foi eleita pela revista britânica Monocle como uma das 25 melhores cidades do mundo para se morar, tal a qualidade de vida do lugar.

Assim como a cidade, ainda sabemos pouco sobre Helsinque e apesar do tamanho – tanto da cidade quanto do personagem – ambos passam uma sensação de tranquilidade absurda, parece que ao lado de Helsinque nada de mal pode lhe acontecer e se por algum acaso acontecer, ele estará pronto para lhe proteger. A cidade passa essa mesma sensação de segurança.

Na outra ponta temos Oslo, interpretado por Roberto García que é um personagem mais reservado e que temos pouco tempo para conhece-lo, talvez esse mistério seja o grande ponto alto do personagem que tem uma trajetória curta e marcante na série.

Oslo além de ser a Capital é a maior cidade da Noruega, é um polo cosmopolita cheio de energia, muita cultura e arquitetura. Como o personagem Oslo interage muito pouco durante a série é difícil fazer um comparativo e entender a escolha.

Oslo – Capital da Noruega

Uffa! Ainda estão me acompanhando? Eu sei que abusei nesse texto, mas eu gostei tanto de La Casa de Papel que acabei relembrando os velhos tempos onde eu escrevia sobre livros e séries. Parece que ainda é algo que me fascina não é mesmo?

Vocês lembram que lá no inicio do texto eu disse que o que me levou a escrever sobre a série foram duas questões que me saltavam aos olhos a cada capítulo? Então, na matéria de hoje apresentei a primeira questão e acho que vocês terão muito o que refletir e debater sobre tudo o que foi dito. Pensem nesse texto como um tipo de ficção, uma fanfic, onde o que foi escrito pode ou não ser levado a sério. Talvez nada do que eu tenha dito faça sentido para você e tudo bem por isso, mas eu me diverti pra caramba escrevendo esse texto.

Sobre a outra questão que me chamou atenção, volto outro dia para terminar de explicar só para não me alongar demais, não que eu já não tenha feito isso né! – risos.

Agora contem aqui nos comentários quais sãos os personagens e cenas favoritos de vocês da série e o porquê e como vocês imaginam o fim de cada um.

No próximo texto falarei sobre a inversão de valores que a série nos traz e mais expectativas sobre o “Gran Finale”.

Beijos

Até a próxima!

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1 COMMENT

  • Eliane

    Achei muito interessante as relações entre os personagens e as cidades. Mas uma coisa me deixou intrigada. Porque somente o “Rio” não é uma capital. Qual sua opinião?

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