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Viajar é possível: como o impossível se tornou possível

Sempre tive o sonho de viajar para o exterior, mas não imaginava como tornaria esse sonho em realidade. “Viajar é muito caro”, é o que sempre ouvi.
De uns dois anos para cá, a ideia de sair pelo mundo não me deixava mais em paz. Eu pensava nisso vinte e quatro horas por dia, mas sempre com aquele sentimento de “agora não dá. Talvez daqui a um ano eu consiga juntar dinheiro”.
Quando entramos em 2016 consegui um emprego como professora de inglês em uma ótima escola de Brasília e que pagava muito bem, e pela primeira vez pensei que meu sonho poderia se concretizar. Mas, mesmo ganhando bem, não consegui juntar dinheiro o suficiente e depois de trabalhar lá por um ano fui demitida.
O que para muitas pessoas poderia parecer uma péssima notícia, para mim foi excelente. Recebi a rescisão do meu contrato e, da noite para o dia, eu tinha tempo e dinheiro na mão! Não pensei duas vezes e, sozinha, planejei toda a minha viagem para a Europa. Passei por seis países e sete cidades: Zurique, Milão, Munique, Erfurt, Praga, Viena e Budapeste. Os trechos entre os países foram feitos de ônibus, pela Flixbus, e foram excelentes. A exceção foi Zurique – Milão, que fiz de trem e não curti muito porque eu ficava tonta nas curvas. hahaha
Praga
Minha viagem durou três semanas e foi tempo mais do que suficiente para que eu mudasse completamente a minha visão de mundo. Percebi que, em primeiro lugar, pessoas são seres incríveis. Sério, eu nunca gostei muito de gente, mas mudei radicalmente de opinião. Conheci pessoas de várias partes do mundo e com várias histórias de vida. Meu coração doeu a cada despedida. Me apeguei de uma maneira que não imaginei que seria possível, em tão pouco tempo. Quando penso em algumas das pessoas que conheci meus olhos se enchem de lágrimas.
Suiça
Percebi também que as coisas são muitos mais simples do que parecem ser. Todas as dificuldades que colocamos em nosso próprio caminho podem ser contornadas de maneira simples. Tempo? Dinheiro? Basta ter disciplina e planejamento, ser criativa.
Zurique




Viena
Mas e o medo de ser uma mulher sozinha solta por esse mundão? Ele bateu e sumiu. Senti um medinho sim quando tive que caminhar de madrugada pelas ruas de Praga com mala e mochila e tinham dois homens bêbados por lá. Senti medo quando tive que voltar para o hotel à meia-noite, a pé, depois de um show em Erfurt (show que, aliás, foi sensacional! As pessoas lá respeitaram meu espaço pessoal e cada segundo foi…delirante hahaha). Mas fora esses pequenos momentos, tudo foi lindo, deslumbrante e muito seguro. Me senti pertencente a algo, sabe? Dividi quarto com pessoas estranhas, comi em barraquinhas de rua, caminhei até ficar com bolhas nos pés, passei tanto frio que senti até dor, passei fome por não conseguir achar nada próximo para comer e estava com o horário apertado. Não me arrependo de absolutamente nada. Tudo pelo que passei serviu como experiência e fico imensamente feliz por ter tido a oportunidade de tirar o cabresto e olhar para os lados…tem tanta coisa acontecendo e nem nos damos conta!
O que me move agora é o objetivo de cair no mundo de novo daqui há um ano. Estou atrás de um novo emprego e já já começo a juntar dinheiro. Talvez dessa vez eu vá e não volte tão cedo…quem sabe? O mundo é meu e eu sou do mundo.
Budapeste
Sobre mim: Danielle, mais conhecida como Delle, nasceu e cresceu em Brasília,a capital de nuvens doidas. Formada em fotografia, trabalha como professora de inglês, mas ama mesmo escrever. Adora mudar o cabelo, adora animais e, recentemente, descobriu que adora pessoas também. Seu maior sonho é conhecer o máximo que pode do mundo, um passo de cada vez.
Instagram: @delle_klier




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  • Pingback: Precisamos falar sobre Erfurt – por Delle Klier – Na Estrada com as Minas on 21/06/2017