África Correspondentes Quênia

Voluntariado no Quênia

O ano era 2011. Eu estava em um vôo de volta para o Brasil, vindo do continente Mãe, com o coração ardente e um único pensamento na mente: a riqueza da África está na vida. E que vida rica e abundante eu encontrei. A África é gentíl e o amorosa e o sorriso dos africanos enriquecem qualquer coração.

E como eu cheguei lá?! Bom, deixa eu voltar um pouco no tempo então…

Desde minha infância tinha o sonho de ser médica. Médica sem Fronteiras. E sempre pensava na África. Esse era meu sonho: ir para o continente Africano.

Em 2008, concluí a Faculdade de Medicina e em 2011, a Residência Médica em Infectologia. Apesar de a vida ter me afastado um pouco do meu sonho, a África estava sempre presente em meus pensamentos. Nesse mesmo ano, vi no Facebook, depois de conversar com uma amiga, um site de uma ONG que permitia a voluntários, viajarem para a África para um trabalho social. A sede da ONG era em Bungoma, no Quênia. A AIDS é atualmente a principal causa de mortes em jovens no país e dados como esse me estimularam a escolher o Quênia por ser minha área de especialização.

Fui sozinha, foi difícil, mas garanto que valeu a pena. Lá trabalhei em uma clínica móvel. Atendi mais de 50 pacientes por dia com malária, tuberculose, HIV/AIDS e outras doenças infecciosas. Não tinha luz elétrica e nem água encanada. Nos primeiros dias pensava “Como vou lavar o cabelo aqui?” Mas depois de um tempo, até curtia ir pegar água no poço para o meu banho matutino. A falta da luz era compensada nos encontros que duravam 2 horas com gerador. Era muito bom. Todos os voluntários se uniam nessa hora. Jantávamos juntos e conversávamos bastante. Lá, fiz amigos para a vida inteira. A cumplicidade e a amizade de um grupo que pratica trabalho voluntário em situações tão inóspitas criam um elo forte e duradouro.

Ao contrário do que muitos pensam, é bem factível viver essa experiência. Eu escolhi a África por acreditar que lá eu poderia ajudar muito. Eu ainda não sabia que, na verdade, o benefício maior seria em mim. Uma enorme transformação pessoal e profissional que eu viveria.

E como exatamente cheguei lá? Afinal, esse post é para dar o caminho das pedras para quem sonha em fazer trabalho voluntário.

Como falei antes, através de uma amiga canadense, conheci a ONG ICODEI (http://www.volunteerkenya.org). Fiz contato – pelo Facebook – com o fundador, o super fofo Reuben Lubanga que me respondeu prontamente. A ONG é super organizada. Você paga um valor para passar o período e nesse valor, estarão inclusos a acomodação, a comida e o transporte. O Bishop Reuben e sua amável esposa Mama Betty mudaram a realidade local com esse projeto lindo. Hoje, mais de 400 crianças estudam com a ajuda dos voluntários.

A primeira dica é que você pode ficar o tempo que quiser. Se só tiver disponível 15 dias de férias, tudo bem. Se quiser ficar 2, 3, 6 meses ou 1 ano também pode. Outra dica é que você pode ter qualquer formação – ou nenhuma. A ONG trabalha com vários projetos. Tem uma escola onde você pode ser assistente das professoras, tem a clínica móvel (se você for algum profissional de saúde, ótimo, mas se não for pode ajudar na parte operacional) e tem também um programa bem bacana de saúde da mulher onde você pode dar aulas com orientações sobre contracepção e violência doméstica. Há espaço para organizar oficinas para ensinar aptidões.

Durante o tempo no Quênia, o trabalho era intenso durante a semana. Acordávamos bem cedo. Nos dias com mais disposição, combinávamos de correr ou caminhar antes do trabalho. Só voltávamos das atividades ao final do dia. A comunicação pode ser uma dificuldade. O idioma no Quênia é swahili (o Hakuna Matata do Rei Leão). Cinquenta milhões de pessoas no mundo falam o swahili. Mas quase todos os dias a gente ia para os atendimentos com um tradutor, o que facilitava bastante.

Mas nem tudo foi trabalho. Também teve lazer. Nos finais de semana de folga, fiz muitos passeios incríveis como um rafting no Rio Nilo, que nasce na fronteira do Quênia com Uganda e um Safari no Parque do Masai Mara onde vimos dezenas de leões, elefantes e girafas.

Enfim, para todas as “minas” que sonham em um dia fazer um trabalho voluntário na África espero ter ajudado. É um sonho possível e transformador. Asante Sana!

Thelma Flosi Gola é paulistana, médica infectologista e ama viajar. Conhece 40 países e mês que vem irá para uma aventura na Islândia. 🙂 Atualmente trabalha com HIV/AIDS, tuberculose e medicina do viajante no município do Rio de Janeiro.

Instagram: @viajandocomtatai

FB: Thelma Flosi




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